Flora azulada
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segunda-feira, 18 de abril de 2016
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Enquanto o mundo discute os limites para a manipulação de imagens no mundo moderno, o médico, fotógrafo e pesquisador Rodrigo Palazzo de Almeida Barros tem se dedicado a fazer um retorno aos primórdios da fotografia. Especializado na técnica de cianotipia, processo que não utiliza câmera fotográfica ou equipamentos modernos de revelação, o londrinense abre hoje, às 19h30, no Museu Histórico de Londrina, a exposição "Cianotipia - Impressões Alternativas". A mostra, que já foi apresentada nos Estados Unidos no ano passado e fica aberta para visitação até o dia 23 de maio, reúne 60 obras que retratam a flora nativa do estado norte-americano do Texas, onde o artista viveu um tempo e aprimorou suas técnicas.
A cianotipia é um dos primeiros processos de impressão fotográfica em papel. A técnica foi descoberta por Sir John Herschel em 1842 e tem este nome porque as imagens produzidas por meio deste método apresentam um tom azulado. Isto acontece pelo fato de se basear em sais de ferro e não prata. Também é conhecida como ferroprussiato ou "Blueprint". É feita a partir de uma mistura de compostos químicos que muda a cor e torna-se azul quando exposta à luz ultravioleta.
Barros comenta que o interesse pela cianotipia surgiu a partir de 2009, quando ele estudou a história da fotografia no Houston Center for Photography, no Texas (EUA), e conheceu várias técnicas antigas de impressão fotográfica. "Embora essa técnica seja muito antiga, ela é responsável por imagens muito bonitas e que parecem modernas. Foi essa beleza das fotografias que me motivou a aprofundar minhas pesquisas sobre esse método, que capta as imagens apenas por meio de uma caixa preta e faz a revelação por meio de lavagem com produtos químicos", detalha.
A maioria de suas obras que compõem a mostra retrata a flora nativa do Texas. A exposição já foi exibida na Archway Gallery, em Houston, no ano passado. E a obra "Flowers in the Wind" foi uma das vencedoras do concurso nacional de técnicas alternativas de impressão fotográfica promovido pela Soho Photo Galley, em Nova Iorque. "Já recebi convites para levar a exposição a São Paulo e Rio de Janeiro, mas ainda estou avaliando as solicitações, pois voltei a morar em Londrina há pouco mais de um mês e ainda estou me organizando por aqui", diz o fotógrafo.
Nascido em Londrina, Barros mudou-se para São Paulo para cursar medicina na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Fez pós-graduação na Universidade de São Paulo, em colaboração com o Instituto Karolinska, Estocolmo, Suécia. Durante sua estada em Estocolmo, começou a se dedicar à fotografia. Em 2016, retornou a Londrina, onde leciona na Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica.
Serviço:
Exposição "Cianotipia - Impressões Alternativas"
Quando Abertura hoje, às 19h30. Visitação até 23 de maio, de terça a sexta-feira das 9h às 11h30 e das 14h30 às 17h30, e sábados e domingos das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h
Onde Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Quanto Gratuito


