Flip começa hoje com homenagem a Drummond
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de julho de 2012
Maria Fernanda Rodrigues <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - A Festa Literária Internacional de Paraty de hoje faz lembrar muito pouco o evento que levou 6 mil pessoas e autores do porte de Eric Hobsbawm e Julian Barnes à cidade fluminense em 2003. O número de visitantes saltou para 20 mil e o clima intimista se perdeu. Mas a lista de escritores cultuados e premiados que Liz Calder, a idealizadora, conseguiu trazer nos primeiros anos e que os curadores vêm se esforçando para manter, segue o padrão e é um dos maiores atrativos da festa.
Na edição que começa hoje à noite com uma fala de Luis Fernando Verissimo sobre os 10 anos da festa, conferência dos críticos Silviano Santiago e Antonio Cicero sobre Drummond e show do Lenine e Ciranda de Tarituba, estarão Ian McEwan, Hanif Kureish e Enrique Vila-Matas, que já participaram de outras edições, e ainda Adonis, James Shapiro, Stephen Greenblatt, Jonathan Franzen, Dulce Maria Cardoso, Rubens Figueiredo, Zuenir Ventura, Francisco Dantas e outros.
E isso custa. A Flip, orçada em R$ 8,4 milhões, é um dos eventos literários mais caros do Brasil. Uma pequena parte desse valor, R$ 1,4 milhão, é destinada às ações da Flipinha e da Flipzona, que envolvem crianças e adolescentes de Paraty e região. É também um dos eventos mais charmosos do País, e serve de inspiração para tantos outros, como a Fliporto, de Olinda.
O boom das festas literárias, aliás, será debatido pelo Itaú Cultural no Museu do Forte na tarde de quarta. E o Itaú Cultural não é a única instituição a organizar eventos paralelos extraoficiais.
A Off-Flip já é tradição e organiza conversas com escritores, exposições e shows. A Casa Sesc receberá os vencedores de seu prêmio literário para conversas com o público. Na Casa do Instituto Moreira Salles, serão gravados programas da Rádio Batuta com os escritores convidados. Há muitas outras casas espalhadas pela cidade, sempre com alguma programação cultural, tentando pegar carona na Flip, recebendo bem seus autores, no caso das editoras, e entretendo o público que não conseguiu ingresso para os debates - a tenda dos autores comporta 800 pessoas.
A Casa de Cultura hospeda a programação paralela oficial. Lá, João Ubaldo Ribeiro e Walcyr Carrasco falam sobre Jorge Amado. Haverá ainda, entre outras atividades, uma exposição sobre Carlos Drummond de Andrade, o escritor homenageado desta edição.
Estreia
Este é o primeiro ano de Miguel Conde à frente da curadoria da Flip e ele conseguiu um time de bons autores estrangeiros e de também bons - e não previsíveis - escritores brasileiros. E só teve duas baixas até agora: Richard Sennett, logo que a programação foi anunciada, e o Nobel J.M.G. Le Clézio, que cancelou a vinda na última sexta e será substituído pelo catalão Enrique Vila-Matas, que subirá, assim, duas vezes ao palco.
''O grupo de escritores reunidos nesta Flip dá um panorama da ficção contemporânea em contraponto a uma ideia da literatura atual excessivamente autocentrada. A maior parte dos autores desta Flip, pelo contrário, faz da literatura um espaço também de discussão de temas da nossa época e faz a aproximação da literatura com outros tipos de discurso, como o histórico e o autobiográfico, mas sempre apostando no que a literatura tem de mais próprio e potente'', avalia.
Quem não conseguiu ingresso para a festa, que termina no domingo, pode acompanhar os debates pelo site do evento.


