Paraty - Os visitantes da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) encontraram uma programação mais acessível e democrática este ano. Pela primeira vez na história do evento, realizado no último fim de semana, no litoral fluminense, o público teve acesso gratuito a dois telões que transmitiram em tempo real as principais mesas de debate que reuniram escritores consagrados do Brasil e do exterior, músico e humoristas. Apostando em inovação, os organizadores da feira abriram espaço para homenagear um escritor contemporâneo ligado ao humor, o jornalista e cartunista carioca Millôr Fernandes.
Outras novidades da Flip 2014 foram a substituição da imponente Tenda de Autores por um pavilhão mais discreto e a retirada da Tenda do Telão tradicionalmente instalada na Praia do Pontal, próximo ao Centro Histórico de Paraty. A justificativa para as mudanças seria destacar as belezas naturais de Paraty. Porém a impressão era de que a estrutura da festa estava menor, assim como no número de visitantes nos primeiros dias do evento. O cenário mudou radicalmente no sábado e no domingo, quando uma multidão tomou conta das ruas durante todo o dia e permaneceu até de madrugada.
No entanto, conforme balanço divulgado pela organização da Flip, em cinco dias a festa teve um público estimado em aproximadamente 25 mil visitantes, repetindo o resultado da edição anterior do evento. Em entrevista coletiva realizada no domingo, o curador Paulo Werneck destacou que graças às inovações, essa foi "a Flip das Flips". "Acho que a gente conseguiu oferecer muitas portas de entrada para o público. É como um festival de rock. A gente vê namorados abraçados, sorveteiro, cachorro, cadeira de praia, isopor", complementou.
Conforme o balanço, o acesso do público às mesas de debate teve alta de quase 30% em relação ao ano passado. Foram contabilizados 12.069 acessos até a mesa 14 (realizada no fim da tarde de sábado) contra 9.482 do mesmo período de 2013.

AMPLOS DEBATES
Temas atuais como as mortes na Faixa de Gaza, espionagem americana, passando pelo humor debatido por integrantes do Casseta e Planeta até chegar à irreverência da atriz Fernanda Torres que estreou no mundo literário fizeram parte da programação da Flip. Durante os cinco dias de evento, foram oferecidas mais de 200 atrações entre shows, lançamentos de livros, peças de teatro, mesas de debates e filmes.
Questões ligadas à política internacional estiveram no centro dos debates da feira. Entre os destaques, estiveram a mesa "Liberdade, Liberdade", com os jornalistas norte-americanos Charles Ferguson (produtor de um documentário sobre a crise financeira de 2008, que resultou no livro "Trabalho Interno") e Glenn Greenwald (que ganhou fama ao revelar a espionagem que os Estados Unidos tem feito junto a outros países por meio da internet). Já na mesa "Narradores do Poder", os jornalistas David Carr e Graciela Mochkofsky falaram do trabalho que desenvolveram sobre as relações entre a imprensa e interesses privados. O engenheiro Ivo Herzog e Marcelo Rubens Paiva defenderam a educação e o fortalecimento da memória deste período para prevenir mais mortes cometidas pelo Estado no País.
A organização da Flip disponibilizou no canal do evento no youtube todos os áudios, na íntegra, dos debates com os autores, realizados durante a festa literária, além de trechos dos debates e entrevistas exclusivas com vários escritores. O conteúdo pode ser acessado na internet pelo endereço www.youtube.com/user/flipfestaliteraria. (O repórter viajou a convite da Flip)

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