Flávio Guimarães lança 'On the Loose' com show no Sesc Pompéia16/Mar, 15:22 Por Jotabê Medeiros São Paulo, 16 (AE) - Em 1983, o músico Flávio Guimarães parecia dirigir sua formação musical para o violão ou o piano, mas resolveu fazer umas aulas de gaita cromática. O que parecia impossível aconteceu: o carioca não só adotou o instrumento como também passou a dedicar-se a um gênero que é quase uma missão, para quem gosta: o blues. Em 1986, Guimarães já procurava uma banda. Nessa época, surgiu o Blues Etílicos, uma das melhores formações do gênero no País. Em carreira-solo, ele já lançou dois discos pelo selo Eldorado. O primeiro é "Little Blues", de 1995. O show de lançamento do novo, "On the Loose", que saiu há duas semanas, estréia amanhã (17) à noite, no Sesc Pompéia. Além do gaitista - que se prepara para tocar com o famoso bluesman americano, Taj Mahal, no próximo Heineken Concerts - e sua banda, o show terá a participação do guitarrista J.J. Jackson, americano radicado em São Paulo. Entre as canções do disco, uma é antológica: "Jam For Big Walter", gravada por Guimarães e Charles Musselwhite em 1996, num estúdio caseiro nas Laranjeiras, Rio, quando o músico esteve no Brasil. O blues é um gênero que tem milhões de admiradores apaixonados, mas também críticos ferrenhos. Estes dizem que sua estrutura de dois compassos o torna uma forma rígida, conservadora. Guimarães concorda com essa opinião, em parte: "É uma forma que influenciou outros estilos, como o rock-n'-roll e o jazz". Segundo ele, realmente houve uma fase de ouro do blues, entre os anos 50 e 60, quando os músicos do gênero - principalmente os de Chicago (EUA) - eletrificaram os instrumentos e trouxeram novidade aos palcos. "Os artistas de blues mais interessantes são aqueles que não copiam, que fazem seus próprios arranjos, embora estejam tocando os clássicos". Guimarães faz parte desse time. Toca dois clássicos de Sonny Boy Williamson, por exemplo - "Checkin'on My Baby" e "Keep It To Yourself" -, e não se pode jamais dizer que está imitando gravações originais. Também não se pode apenas dizer que Flávio Guimarães é o melhor gaitista do País, já que estes são raríssimos. Mas é certamente um músico que sabe como tratar o instrumento - e, depois da morte de Júnior Wells, há poucos que sabem fazê-lo. Serviço - Flávio Guimarães. Amanhã e sábado, às 21h30. R$ 5,00 e R$ 10,00. Choperia do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, tel. 3871-7700

mockup