Flávia canta Domingos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Uma grata surpresa é o segundo CD da cantora Flávia Bittencourt - ''Todo Domingos'' (selo independente) - em que presta uma sincera homenagem musical a Dominguinhos, seu ídolo de infância. ''Como todo nordestino, cresci ouvindo Luiz Gonzaga e Dominguinhos, e não tem como não ser influenciada por eles'', conta Flávia.
Nascida em São Luís, no Maranhão, Flávia começou ainda menina a fazer aulas de música, mas foi durante a faculdade de Farmácia, na terra natal, que o dom artístico ganhou força e se definiu: ''Tive a certeza que cantar, trabalhar com música, era o que gostaria de fazer todos os dias da minha vida e é o que estou fazendo''.
Em São Paulo, além de estudar música, cantar na noite ajudou a conhecer músicos para a formação da sua banda. Em 2002, em um evento musical, se encontrou pela primeira vez com Dominguinhos e foi convidada por ele a dividir o palco na canção ''De volta pro aconchego''. ''Foi superemocionante, não esperava por isso; é aquele tipo de situação que não se combina, simplesmente acontece'', relembra. Antes disso, seu pai ''coruja'' já havia falado da filha cantora ao artista, que gentilmente cedeu o telefone para contato, que acabou não acontecendo devido à timidez da artista. ''Felizmente acabamos nos encontrando depois e nasceu uma grande amizade'', afirma Flávia.
Em seu primeiro disco, ''Sentido'' (2005), compositores maranhenses predominavam no repertório, mas a ideia de lançar um CD com músicas só de Dominguinhos, que é pernambucano, de Garanhuns, já existia. Generoso, o artista cedeu sua ampla discografia para Flávia, com gravações desde a década de 60, em 40 anos de carreira. ''Fazer a escolha do repertório foi a parte mais difícil desse trabalho muito prazeroso de gravar. No fim, canções que gosto muito, como 'Gostoso demais' e 'De volta pro aconchego', acabaram ficando de fora'', comenta.
No entanto, em suas 12 faixas, ''Todo Domingos'' percorre com sensibilidade e belos arranjos contemporâneos parte do legado desse popular artista nordestino, que tem como sua marca registrada a sanfona associada a uma voz agreste e acolhedora. ''Na verdade, nesse disco procuramos destacar o lado melodista do Dominguinhos, que também é maravilhoso'', acrescenta Flávia.
E o resultado é muito bom. Os arranjos surpreendem a cada faixa e é raro ouvir o som de sanfona, ao contrário de outros instrumentos de cordas, dos metais e da percussão. Há participação especial de Dominguinhos na faixa ''Diz amiga'' - que também ocorre virtualmente, via telão, nos shows que a cantora está realizando. Flávia mostra ainda uma composição própria, em ''Seu Domingos'', onde homenageia o ídolo e fala também do lado belo do agreste (''Não é só seca que faz o sertão ser lembrado/ E de tanto ser castigado/ Essa triste lembrança se faz''). ''Isso é uma coisa bem do Dominguinhos. Ele é bastante consciente dos problemas nordestinos, mas em suas canções procura celebrar a vida do sertanejo'', ressalta. Integram o disco clássicos como ''Lamento sertanejo'', ''Eu só quero um xodó'', ''Sete meninas'', ''Quem me levará sou eu'', ''Tenho sede'' e ''Abri a porta''.
O lançamento oficial do disco foi em julho, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro. Flávia agora está em turnê pelo interior de São Paulo pelo Sesc. Para março de 2010, com o apoio da empresa SCS e da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, está programada uma turnê na Europa, onde ela leva seu repertório musical ensolarado e divertido como quase sempre é cada dia domingo.
Serviço
- Todo Domingos, de Flávia Bittencourt (selo independente)
Mais informações - www.flaviabittencourt.com.br


