Extravagante, midiático e prolífero, Fito Paez - ou uma espécie de versão argentina de Caetano Veloso - está de volta com um novo álbum. ‘‘Rey Sol’’ (Warner, R$ 25), que acaba de ser lançado aqui pela Warner, é um disco mais ousado e experimental do que seus últimos trabalhos, funciona quase como um contraponto ao pop de ‘‘El Amor Despues del Amor’’ (92) - que ultrapassou a cifra dos 700 mil discos vendidos - ou ao psicodélico e nostálgico ‘‘Circo Beat’’ (94).
Com 13 faixas, todas de sua autoria, ‘‘Rey Sol’’ dedica-se à crônica urbana, com letras carregadas de ironia e agressividade, mas também de bom humor.
Em ‘‘Paranóica Fierita’’, Fito narra as aventuras de um empresário, enquanto o gênero que acompanha o enredo varia de acordo com o desenvolvimento da história, passando pelo blues, o tango - que entra no momento em que é mencionada a Buenos Aires dos tempos de Roberto Arlt (1900-1942, importante escritor argentino) e o mambo.
Em ‘‘El Diablo de tu Corazón’’, Fito lamenta o depauperamento de Buenos Aires, culpa pela frustração generalizada a crise econômica e a falta de sonhos (‘‘hace un tiempo en esta misma ciudad/ en los comienzos de los aÀos 80/ el mundo aún se podia mover’’).
A agressividade volta em ‘‘Molto Lugar’’ (‘‘vengo de un lugar donde te vuelves un canalla/ o sos carne de los perros’’) e em ‘‘Acerca del Niño Proletário’’, um conto de crime e horror passado no subúrbio da cidade e ‘‘dedicado’’, ao final, a Gardel e Peron.
A violência urbana tem sido um tema caro ao cantor, que, anos atrás, teve a avó assassinada em Rosario, sua cidade natal.
Fito dedica algumas faixas a um cenário que já se acostumou a descrever, o da vida boêmia das cidades. É assim em ‘‘Noche en Down Town’’, em que o cantor aventura-se por Nova York, ou na bela ‘‘The Shining of the Sun’’, esta, porém, já de volta, em Salta.
Dedicado a seu filho, Martín, mostrado na capa do CD com uma imensa cabeleira, ‘‘Rey Sol’’ reitera alguns elementos da fórmula até aqui utilizada por Fito: o apego ao rock, o uso de sonoridades latinas e de arranjos de metais, a influência do pop de língua inglesa, a sugestão de imagens coloridas - o auge dessa obsessão aparece em foto do encarte, em que o cantor encontra-se ‘‘dentro’’ da cauda de um pavão (!). Também a cada disco, uma boa dose de músicas feitas para tocar ao vivo.

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