Fito Paez lança o CD 'Rey Sol'
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Sylvia Colombo Agência Folha 
Extravagante, midiático e prolífero, Fito Paez - ou uma espécie de versão argentina de Caetano Veloso - está de volta com um novo álbum. Rey Sol (Warner, R$ 25), que acaba de ser lançado aqui pela Warner, é um disco mais ousado e experimental do que seus últimos trabalhos, funciona quase como um contraponto ao pop de El Amor Despues del Amor (92) - que ultrapassou a cifra dos 700 mil discos vendidos - ou ao psicodélico e nostálgico Circo Beat (94).
Com 13 faixas, todas de sua autoria, Rey Sol dedica-se à crônica urbana, com letras carregadas de ironia e agressividade, mas também de bom humor.
Em Paranóica Fierita, Fito narra as aventuras de um empresário, enquanto o gênero que acompanha o enredo varia de acordo com o desenvolvimento da história, passando pelo blues, o tango - que entra no momento em que é mencionada a Buenos Aires dos tempos de Roberto Arlt (1900-1942, importante escritor argentino) e o mambo.
Em El Diablo de tu Corazón, Fito lamenta o depauperamento de Buenos Aires, culpa pela frustração generalizada a crise econômica e a falta de sonhos (hace un tiempo en esta misma ciudad/ en los comienzos de los aÀos 80/ el mundo aún se podia mover).
A agressividade volta em Molto Lugar (vengo de un lugar donde te vuelves un canalla/ o sos carne de los perros) e em Acerca del Niño Proletário, um conto de crime e horror passado no subúrbio da cidade e dedicado, ao final, a Gardel e Peron.
A violência urbana tem sido um tema caro ao cantor, que, anos atrás, teve a avó assassinada em Rosario, sua cidade natal.
Fito dedica algumas faixas a um cenário que já se acostumou a descrever, o da vida boêmia das cidades. É assim em Noche en Down Town, em que o cantor aventura-se por Nova York, ou na bela The Shining of the Sun, esta, porém, já de volta, em Salta.
Dedicado a seu filho, Martín, mostrado na capa do CD com uma imensa cabeleira, Rey Sol reitera alguns elementos da fórmula até aqui utilizada por Fito: o apego ao rock, o uso de sonoridades latinas e de arranjos de metais, a influência do pop de língua inglesa, a sugestão de imagens coloridas - o auge dessa obsessão aparece em foto do encarte, em que o cantor encontra-se dentro da cauda de um pavão (!). Também a cada disco, uma boa dose de músicas feitas para tocar ao vivo.


