São Paulo, 22 (AE) - Lançado no fim do ano passado nos Estados Unidos, "O Rei Leão 2 - O Reino de Simba" já vendeu 15 milhões de fitas de vídeo. É um número impressionante, embora inferior ao do primeiro filme da série. Desde ontem "O Rei Leão 2" está nas locadoras, supermercados e lojas de departamento selecionadas de todo o País, em versões dublada (a maioria) e legendada. É uma política da Disney. Sequências de seus filmes famosos vão diretamente para o vídeo, sem passar antes nos cinemas.
A primeira descoberta ocorre logo no começo. No fim de "O Rei Leão", o mandril apresenta para Simba o seu herdeiro. Ele então levanta o filhote, anunciando a continuidade do ciclo da vida. Todo mundo pensou que era um leãozinho. Engano: é uma leoazinha. Em "O Rei Leão 2", repete-se até certo ponto a história do primeiro filme. A filhote, Kiara, quer conhecer o mundo. Envolve-se com um dos filhotes de Scar, o vilão de "O Rei Leão". As respectivas famílias não fazem gosto. Você já viu esse filme. É "Romeu e Julieta", agora no reino animal.
Há outras sugestões shakespearianas. São intencionais, revela a dupla Darrell Rooney (diretor) e Jeannine Roussel (produtora). Numa entrevista pelo telefone, realizada nos estúdios da Disney em Los Angeles, eles anunciaram que o principal desafio que enfrentaram foi tentar fazer uma sequência tão popular e aclamada quanto o filme original. Isto não representa pouca coisa quando se pensa que "O Rei Leão" foi instantaneamente aclamado como a melhor animação dos últimos tempos.
"Quisemos dar continuidade ao ciclo da vida", diz Rooney, acrescentando que desde o início ele e o co-diretor Rob LaDuca tiveram de defrontar-se com uma espécie de fantasma: "O público estava tão atento ao primeiro filme que o nível de expectativa era muito alto". Foram dois anos de preparativos para ele e quatro para Jeannine, que embarcou na aventura logo que o original começou a bater recordes. "Uma sequência tornou-se obrigatória", ela diz. Enamorados - Mais de um ano foi consumido só no script. "Tivemos de suar para encontrar uma história que valesse a pena ser contada", diz Rooney. Essa história não tinha apenas de privilegiar os personagens novos, como Kiara e Kovu, os enamorados, mas também encontrar desdobramentos para aqueles que vinham do primeiro filme: Simba e Nala, Timão e Pumba. Na ausência do diabólico Scar, foi criada sua viúva, Zira, para prosseguir com a tradição de maldade.
"Foi importante fazer com que Zira tivesse o seu contexto", diz Jeannine. Para isto, a equipe de animação seguiu a sugestão do roteiro criando a "Terra do Exílio", onde vivem os leões banidos. Em contraste com a beleza e harmonia do reino, a "Terra do Exílio" é uma área cheia de maus presságios. "Para recriar a natureza, nosso desenho limpo e claro foi tirado diretamente da selva africana", revela a produtora, que informa: antes que um só desenho fosse feito, foi realizada uma longa pesquisa in loco. "Uma equipe de produção foi à áfrica e tirou milhares de fotografias", ela diz.
Rooney considera-se particularmente satisfeito com a música e a fotografia do filme. "Não foi fácil criar outra trilha, considerando-se que "O Ciclo da Vida" e "Hakuna Matata" viraram hits musicais", ele ressalta. Rooney também destaca o uso da cor para expressar sentimentos. E admite: "Foi uma lição que aprendi de Vincente Minnelli; nos filmes dele, mesmo os menores, há sempre um intenso trabalho com a cor para revelar o mundo dos sentimentos". Contraste - Para o espectador pode ser insignificante, mas Rooney diz que um dos aspectos mais importantes do filme foi uma decisão que LaDuca, Jeannine e ele tomaram: em contraste com a "Terra do Exílio", a principal locação do segundo filme é a Pedra do Reino. Ela já se havia transformado num poderoso signo visual no outro filme. A decisão foi reverter a perspectiva do lado direito para o esquerdo da pedra. "Isso mudou completamente a perspectiva da história e está de acordo com o novo tema - em "O Rei Leão 2" Simba aprende a lidar com o seu lado mais sombrio e desconhecido; no fim, o sol brilha naquele lado da Pedra do Reino, representando a resolução dos conflitos".
Como sempre, Rooney e Jeannine consideram difícil estimar os custos da produção. Mas concordam que barateou bastante o fato de o filme ter sido realizado, na maior parte, nos estúdios da Disney na Austrália. O próprio colorido foi feito por meio de um processo de pintura e tingimento digital que foi empregado pela primeira vez. Jeannine, que trabalhou em duas sequências da Disney para TV - "Aladdin e os 40 Ladrões" e "Pocahontas 2: Viagem a um Novo Mundo" -, considera-se afortunada por ter trabalhado com dois diretores que se complementaram. "A experiência de Darrell (Rooney) e o senso de humor e dos personagens de Rob (LaDuca) me deram a certeza de que conseguiríamos manter-nos fiéis ao tom do primeiro filme".
Ela e Rooney trabalham atualmente numa sequência de "A Dama e o Vagabundo" que se vai passar seis meses após o fim do filme dos anos 60, quando Banzé também cai no mundo, seguindo as pegadas do pai. O lançamento de "O Rei Leão 2" no Brasil está sendo marcado por campanhas promocionais agressivas, que incluem ações como o McLanche Feliz, do McDonalds, com forte apoio de mídia. Os pontos-de-venda também estão sendo abastecidos com grande número de materiais promocionais, tudo de forma a transformar "O Rei Leão 2" num sucesso à altura do primeiro filme. Afinal, "O Rei Leão" vendeu 55 milhões de fitas de vídeo em todo o mundo, sendo 1 milhão delas vendida somente no Brasil. SERVIÇO - "O Rei Leão 2 - O Reino de Simba". EUA, 1988. Direção de Darrell Rooney e Rob LaDuca. Fitas à venda pelo preço médio de R$ 20,00.

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