Finnicius Revém
Finnicius Revém
Com este título aí acima, orgânico e radicalizado, acaba de sair o primeiro fascículo (144 págs., R$ 35,00) de um total previsto para 17 (um a cada 3 meses), da que se pretende a primeira tradução integral de Finnegans Wake para o português, e o que é melhor, para o português do Brasil. A façanha está sendo empreendida pelo gaúcho Donaldo Schuler, 67, que se dispôs a encarar a pesada tarefa até o fim, sob o patrocínio da Casa de Cultura Guimarães Rosa e Ateliê Editorial, esta responsável pela edição primorosa dos livros -fascículos. Não precisa lembrar o grau de dificuldade - contaminada, de palavras-valises a cifras cabalísticas, para ficar nos recursos menos sofisticados de que Joyce lança mão, Finnegans Wake é o mais indecifrável dos textos já produzidos por um escritor. Mas não se imagine qualquer coisa a esmo - para o livro e a saga-delírio, entre outras sagas, de Humphrey Chimpdem, Earwicker, o HCE, convergem nada menos do que 65 idiomas; matas, montes, rios transmutam-se em pessoas, e vice-versa; as infinitas encarnações e reencarnações de figuras mitológicas irlandesas misturam-se às pulsões humanas e, de vez em vez, a onomatopéia do troar do trovão faz, pela narrativa, a marcação dos seus ritos de passagem - a mais longa palavra jamais escrita, e que não cabe aqui de tão enorme, e que talvez valha a pena dar dela, que mais não seja, o começo ôbababadalgharaghtakamminarronnnkonnnbronntonerronntuonnthun...Quem se habilita? (W.B.)





