- Voou, voou, voou!

- Maestro soberano. Foi Francisco quem cunhou.

- 80 anos amanhã. Se estivesse vivo, Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim estaria fazendo shows ainda? Fumaria charutos? Estaria ainda tomando uisquinho? Estaria olhando o Brasil caboclo, cunhãs que vêm e que passam num doce balanço a caminho da mata? Teria composto quantas obras-primas a mais? Teria votado no Lula? Convidaria Ivete Sangalo para perto de seu piano? Aprovaria Gil como ministro?

- Tom Jobim!! Tanta admiração e chega a hora de escrever algumas bem traçadas linhas e... ah, não, cair na biografia pura e simples. Eu me nego! Falar do que não vi e tanto li, muito menos. Tampouco apontar em quais canções aproximou acordes populares e erudito.

- Todo mundo gosta de Jobim. O mundo todo gosta dele.

- Depois dos quadris, foi Antônio quem exportou o maior movimento do Brasil, a Bossa Nova - ele, a música; Vinicius, a letra; Gilberto, o jeito. Santíssima Trindade.

- Tom e Vinicius. Dupla da melhor qualidade. Buarque e outros, mas com o poetinha o maestro imprimiu sofisticação à música brasileira urbana. Eu sei que vou te amar. Batida, mascada, banalizada, porém quando assim, de viés vem... flecha. Hum! Quero tantos e outros e mais e diferentes amores para sempre cantar - ao menos assobiar - essa música, seja de tarde, de noite ou madrugada chorosa. Até aprender o que é amor.

- Até chegar o próximo amor, colhido com a mão direita.

- ''Olha, está chovendo na roseira...''

- Tom tinha sotaque internacional. Mas mantinha intacto seu espírito brasileiro. Índio, mata, bicho, ave. Brasil.

- Ele pedia para escutar o mato crescer. Bonito isso, né?

- ''Deixa o índio vivo no sertão / Deixa o índio vivo / Deixa o índio vivo nu / Deixa o índio / Deixa, deixa / Escuta o mato crescendo em paz / Escuta o mato crescendo / Escuta o mato / Escuta / Escuta o vento cantando no arvoredo
Passarim passarão no passaredo / Deixa a índia criar seu curumim / Vá embora daqui coisa ruim / Some logo / Vá embora / Em nome de Deus'' (''Borzeguim'' )

- Tom Jobim no Carnegie Hall. Tom Jobim na Mangueira. Tom Jobim no comercial de cerveja. Tom Jobim podia aparecer onde quisesse. Por onde passasse, uma reverência, um gesto delicado. Dele. Ou delas.

- Ele... ''A beleza que não é só minha...''

- Villa-Lobos. Koellreutter. Moraes. Buarque. Lobo.

- Cantando não era bom. Mas alguma coisa naquela voz transpõe quaisquer limitações interpretativas.

- ''Saudade da Bahia'', do Caymmi.

- ''E hoje, que eu sou mesmo da virada / E que não tenho nada, nada / E por Deus fui esquecida / Irei cada vez mais me esmulambando / Seguirei sempre cantando / na batucada da vida'' (Ary Barroso-Luiz Peixoto)

- Primórdios. Rua Nascimento Silva, 107. Elizete Cardoso. Canção do Amor Demais.

- Elis. Miúcha. Ella. Rosa. Nana. Bethânia. Sinatra. Sting. Getz. Galllllllllllllllllllll!

- ''A minha casa um escuro deserto / Mas com você ela é cheia de sol / Molha tua boca na minha boca/ A tua boca é meu doce é meu sal/ Mas quem sou eu nessa vida tão louca / Mais um palhaço no seu carnaval'' (Tema de Amor para Gabriela)

- Lindo! De doer!

- ''Passarim me conta, então me diz / Por que que eu também não fui feliz / Cadê meu amor, minha canção / Que me alegrava o coração / que me alegrava o coração / Que iluminava o coração/ Que iluminava a escuridão.''

- Azuis que somem à noite ou quando as ruas chamam.

- Outras cores vêm. Placidamente...

- ''Se soubesses como eu gosto / Do teu cheiro, teu jeito de flor.''

- Teu jeito de flor...

- Jobim, o criador. Aos 80 estaria aqui, enfim. Envolto em oitenta ventos como uma divindade.

- Branco de Lufã. De Guiã.

- Divindade dos acordes. Gil, quando só cantor e compositor, bateu cabeça para ele. ''Quanta''.

- ''Pra prestar essa homenagem / De coração / Ao grão-mestre dessa ordem / Venerável da canção / Brasileiro de Almeida / De ouro e marfim / Curumim da mata virgem / Antônio Carlos Jobim / Ê, babá, ê babá, ê / Antônio Carlos Jobim'' (''De Ouro e Marfim)

- Ê, baba, ê, babá, ê

- Eu fico com a delicadeza harmônica de Rosinha Passos...

- Tinhorão, urutu, sucuri.

- Jobim, sabiá, bem-te-vi...

- Voou, voou, voou!


EU RECOMENDO
Tribalistas com Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown (2002, Emi). É um dos discos que mais me impressionaram. Sempre gostei da Marisa Monte, que é um talento monstruoso com um espaço de canto muito grande. Tem formação lírica. Arnaldo eu o conhecia dos Titãs. O Brown, que tem um trabalho calcado na percussão, sempre observei meio à distância. Daí os três juntos se encontraram e formataram um projeto que começou de forma caseira, pelo o que li. Esse álbum contém um pouco da cultura musical de cada um e que resultou num trabalho de qualidade. As letras e as melodias me entusiasmam muito e por isso sugiro o disco com um prazer enorme. Uma das músicas que mais gosto é ''Velha Infância'', por sinal bastante conhecida, em que predomina o timbre da Marisa. Ela tem uma forma própria de expressão que, particularmente, me agrada muito. (Spartaco Puccia Filho, publicitário)


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