FINA SINTONIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de dezembro de 2006
Antônio Mariano Júnior 
A música para mim é o que faz sentido na vida. É minha maneira de viver, minha razão de viver. Eu não sei fazer outra coisa a não ser música
(Naná Vasconcelos)
O canto viril de Djavan
- Começa com '' Meu Bem Querer''. Ai...Uma, duas, várias fisgadas em corações suscetíveis como o meu. Ok, tocou milhões de vezes. Mas incomoda - ah, os amores inomináveis - com versos assim: ''Amor e o que é o sofrer/ para mim que estou/ jurado pra morrer de amor''. Hein? Fala mais baixo! Quero viver esse amor confessional. Esse amor que Djavan tão bem descreve.
- ''Meu Bem Querer'' abre o DVD ''Djavan: Série Ensaio'', gravado em 1999 e que chega pela Deckdisc. A voz derrapa um cadinho nos agudos. Quem não derrapa na vida? Hein? Tô sim!
- Jugular, uma canaleta. Há muito me rendo de amores por Djavan Caetano Viana.
- Lábios carnudos. Canto viril. Homem bonito. Homem, não macho, porque essa raça, graças a Deus, está em extinção. Um homem certo de seus procedimentos escreveria ''Nobreza''? Sim. Fez para Paulinho da Viola.
- ''Nossa velha amizade nasceu/ de uma luz que acendeu/ aos olhos de abril/ Com cuidado e espanto eu te olhei/ no entanto você sorriu''. Hum!
- Gosto de amar o amor. Os amores urgentes, histórias por vir. Eu não sei muito de amor. Mas amar é importante. Amar requer levezas, miudezas, surpresas. Tempos estáveis, cumplicidades secretas. Ah, o amor...
- Confessional eu sou! Eu sou demais!! Djavan também. O DVD contém declarações bacanas. Nasceu em Macéio, Alagoas, na Rua Tereza Cristina, 211. Mãe lavadeira que cantava. ''Minha mãe era uma mulher musical, adorava cantar. Cantava o tempo inteiro. Ela me levava para ver todo mundo: Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Ângela Maria. Minha mãe foi minha maior influência''.
- A melhor de todas: ''Minha mãe fazia música para os filhos, para cada um fez uma música para ninar''. A dele é ''Passo Preto''. Singela. O caráter de Djavan foi muito bem moldado.
- Confessa avexado: a primeira música é muito feia. Não toca. Fala da chegada ao Rio, em 73, tudo com um quê de poesia bruta. E no entanto, um doce! Preocupa-se com o suor provocado pelos spots. Uma toalha é providenciada. Fala da importância de Angola na sua musicalidade. Canta ''Humbiumbi''. E muitas outras.
- Não à toa Adélia Prado - poeta, ô minha divina poeta - rendeu-se em palavras a esse homem. É bom cantar Djavan. Citar fragmentos ou versos inteiros. Memorizei tantas letras. Para mim, poesias. Gosto de declamar nos meus interiores.
- Djavan escreveu ''Oceano''. Já pode se considerar alguém de coração crescido.
- ''Enfim, de tudo o que há na terra/ não há nada em lugar nenhum/ Que vai crescer sem você chegar/ Longe de ti tudo parou.''
- Rasgo seda sim. E daí?
- Espeto sim. E daí?
- Ele insinua três vezes a ''tal'' música. Por graça divina, ou por interveção do padroeiro dos editores de imagem, não entrou no DVD. Nesse pelo menos não. Ufa! Ah, vai dizer que alguém ainda aguenta ouvir ''Flor de Lis''? Deu na tampa, né?
- Só faltaram gravar e/ou interpretar a Simone, com aquele jeito arraaaaasssstaaaadooooo e sonolento, e a freirinha serelepe que cantava e tocava ''Dominique, nique, nique'' - de qual filme mesmo, hein?
- Banalizaram Djavan. A noite, os cantores da noite - não todos, não todos - sempre preferiram o lado A do cantor e compositor alagoano. E comem acordes, acordam o público, constroem ''teias'' e assim os ''teiados'' se erguem. ''Toca Flor de Lis!!!''. Sempre tem um desvairado pedindo. Toca, mas toca bem. E põe alma.
- ''Sina'', não! Tenho a minha. E está de bom tamanho.
- Toca ''Milagreiro. Toca ''Nuvem Negra'', ''Soneto'', ''Mal de Mim''. Toca ''Segredo''. ''Ferrugem''. Toca o lado B do Dja.
- Alguém por favor poderia tocar e cantar com o coração ''Florir'' para que meus caminhos continuem azuis? Delicadamente azuis.
- ''Quanto dá de ti/ pra meu viver, florir/ entre ares de verão/ não demore a vir/ matar a minha sede/ de cair na tua rede/ pra saber/ o tesão/ que voce é/ voce é um triz/ que vai me fazer feliz/ ilumina aqui/ ou eu sinto medo/ tua chama é meu segredo.''
- Ah, sim o DVD ''Djavan: Série Ensaio''. Ah, gente boa, dá uma olhada de quem é e pronto. Precisa não de maiores apresentações...
- O que que eu queria mesmo era falar de amor e de Djavan. Faltou espaço.
- O amor é azulzinho, afirma Djavan.
- Por isso sempre destino um olhar doce a esse homem. E não é de hoje...
- Não é de hoje mesmo!
EU RECOMENDO
Meu Bem Querer, coletânea (1997), Emi Music. Bem, eu gosto muito do Djavan, tenho praticamente todos os discos dele. Suas canções falam de tristeza, de alegria, da malícia do amor, de histórias de quem ama, até mesmo nas mais suingadas que não necessariamente não falam de amor. Ele é um compositor completo. Um artista discreto no seu dia-a-dia, outro fato que admiro em sua personalidade. Escolhi essa coletânea porque adoro ''Meu Bem Querer'' e porque queria muito ouvir com ele ''História de Cantador'', que é linda. Procurei essa música até achar. Se fosse para escolher um disco do Djavan, eu citaria ''Malásia'' (1996). Gosto muito das músicas dele, gosto de cantá-las inclusive junto com o disco. Há letras que são poemas. Djavan muitas vezes me emociona! Eu já fui a shows dele e fiquei fascinada. Gostaria muito de conhecê-lo pessoalmente e dizer o quanto eu o admiro. Se fosse para resumir o Djavan, eu diria: ''Demais''. Ele é demais! (Karla Simões Curado Fleuri Borsato, farmacêutica)


