‘‘Eu faço música por que não, por que sim/
Música, música, música...’’
(Péricles Cavalcanti)

- Ela assustava neném de propósito. Deu o que falar em resenhas de música e nas crônicas policiais. Caiu de boca na vida, quebrou o dente e gargalhou para o mundo. Deu declarações de deixar senhoras perplexas segurando o colar de pérolas... Bateu, apanhou, sorveu a vida e garrafas de uísque e cantava suas dores. Berrava, muitos riam. Cutucava, muitos relinchavam. Não estava nem aí para a paçoca.
- Angela Maria Diniz Gonçalves. Angela Ro Ro. Muitas vezes, Angela ''Terror''.
- Ela ainda é da pá virada? Ah, é! Mexe pra ver! Não é porque largou seu ''kit suicídio'' (álcool, cigarro, drogas e outros quetais - e bota quetais nisso) que tornou-se um amor de pessoinha. Perdeu quase cinquenta (!!) quilos - litros, também ? -, fez plástica, pratica ginástica, tá linda!
- Optou pelo bem-estar físico e mental. Ro Ro cansou de ser lendária para tornar-se definitivamente humana, demasiadamente humana. Para pregar a paz e os amores - todas as formas (Rimbaud & Verlaine. Gertrude & Alice. Romeu & Julieta) - de cara limpa e sem caretice própria de quem chapou o coco durante anos e transmuta-se num anjo de candura. Há há há. Com o perdão do trocadilho, Ro Ro mudou do vinho para a água. Ou do uísque para o chazinho. Optou pela vida. E em se tratando dela, é algo a se consagrar.
- ''Eu acho engraçado esse tipo de pergunta: 'Ah, você está no momento mais zen da sua vida'. Digo, 'Tô zen-vergonha (risos), sem pudor, sem dinheiro''. Mais uma dela: ''Meu drinque atual é água''. ÁGUA!!!!! Tempos atrás ela berrava num rock. ''Meu Mal é a Birita''! Hum...
- A melhor: ''Arte não pode ter tabu, por isso eu acho que acabei quebrando um monte de tabus, sim! Disseram que eu quebrei mais bares que tabus, mas a realidade, como já dizia, Nelson Rodrigues, acusa a verdade: eu quebrei mais tabus, graças a Deus. (...) Meu pai e minha mãe, especialmente, me diziam desde pequena: 'o importante, Angela Maria, é que você ame e não a quem você ama'''
- Trechos do CD-entrevista que promove ''Compasso'', 11º disco da cantora e compositora carioca. Sai pela Indie Records. 13 faixas autorais e inéditas. Tem baladas pop, rock, reggae, blues, bolero, samba, de um pouco tudo tem.
- Ro Ro estava fazendo falta. Os transgressores sempre servem de faróis. Volta aos discos com tesão. Veemência! Abre com a radiofônica ''Compasso'' e suas verdades pessoais (''Estou deixando o ar me respirar/ Bebendo água pra lubrificar''). E mal dá tempo de respirar, vem ela com ''Contagem Regressiva'' e sua sinuosa linha melódica. Aperte o repeat e viaje um pouco.
- Retoma parceria com dois queridos: Ana 'Amor, Meu Grande Amor' Terra (na sintomática ''Paixão'') e Antônio Adolfo (''Chance de Amar'' - divina). Com o tecladista Ricardo Mac Cord, assina sete canções. ''Sem Adeus'', Jesus, que real grandeza.
- Um ou outro arranjo pasteurizado. A força maior provém do canto e/ou das letras. Ro Ro já foi mais contundente. Mas ainda tem o que dizer.
- ''É por ser tanto que quero/ Que vou saber esperar/ Por qualquer tipo de afeto/ Que brotar''. (''Chance de Amar''). É isso, azuis caminhos...
- ''Tenho uma alma de jazz, uma saudade de samba, mas meu estado de espírito é rock and roll''. Então, tá!
- A voz dela tá uma delícia! Perdeu quilos, mas não volume.
- Prepara um DVD a ser lançado até o final do ano com seus grandes sucessos. Promete ''surpresas''. Se a irreverência ainda é latente? Ora, ela é uma artista da música, do palco e não escritora de livro de auto-ajuda.Portanto...
- Assim: depois de tantas porradas e muitas passagens hilárias, de baixar o braço, tomar champanhe em scarpin, enfrentar polícia, hoje Ro Ro quer paz. Paz, amor, música e água mineral.
- Ela foi ser feliz, gostou e voltou. Iluminada e tangente. Mas ó: não bate de frente, respeite a moça. Deixe a moça em paz se não quiser renovar o repertório de palavrões.
- 'Maldita'...
- BENDITA!!!
- BEM-VINDA!!!!!

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