Apareceu a Alaíde

- Sumiu! E procura daqui, dali. Cadê? Abre e fecha bolsas e armários. Olhar vagaroso na estante de discos. Refazer mentalmente caminhos para saber onde teria deixado. Mão na cintura, no queixo. Palavrão! Busca em lugares improváveis - para quem já colocou xampu na geladeira e esqueceu o celular no buffet de um restaurante, tudo é possível... Su-miu!! De-sa-pa-re-ceu!! Perdi, enfim.
- Anteontem, organizando CDs e sentimentos, o sorriso dela na capa do disco parecia me dizer: ''Estou aqui. Sempre dou sinais de vida''
- Ô, Alaíde... Alaíde Costa!! Que bom reecontrar (no meio de um edredon dobrado e guardado...) seu ''Tudo que o Tempo me Deixou'', com o qual você comemora 50 anos de carreira. Meio século de integridade musical. Longevidade. Dignidade. Coerência. Elegância. Apuro.
- Técnica e emoção. A ''vozinha'' de Alaíde Costa alcança notas inimagináveis. Diva. Matriarca da canção. Estilista musical. Que sabe extrair dor e alegria exatas das canções. Deve ser lindo vê-la na intimidade de um estúdio. Lindo é vê-la no palco preenchendo os labirintos emocionais da platéia. Precisa de um DVD essa senhora.
- O álbum. ''Tudo que o Tempo me Deixou'' é o 14º (poucos, mas consistentes). Lançado no segundo semestre do ano passado pela Lua Music. Tem direção musical, arranjos, pianos e teclados de Gilson Peranzetta. Completam o time de músicos Mauro Senise (sopros), Paulo Russo (baixo acústico), João Cortez (bateria) e David Chew (violoncelo). Bravos!
- Repertório superlativo. Três inéditas dela: ''Saída'' e ''Você é o Amor'' (essa com Tom Jobim) e ''Meu Sonho'' (com Johnny Alf). Tem Fátima Guedes, Dolores Duran, Sueli Costa, Paulo César Pinheiro. Gente do bem.
- Frase dela: ''O título do CD já diz, é o que o tempo me deixou mesmo. As experiências, tristezas e alegrias. Foi gratificante ter atravessado esses 50 anos sem ter que fazer apelações ou concessões. Sinto-me vitoriosa, embora ainda tenha que lutar muito pela sobrevivência''.
- Dizer o quê?!
- ''Antes de você/ Eu só pensava no presente/ Nada havia antes nem na frente/ Hoje com você/ Tempo de nós dois/ Se escreve com a palavra/ Eternamente'' (''Predestinado Amor'', Maurício Carrilho - Paulo César Pinheiro)
- Você, Alaíde, ''reapareceu'' num momento em que meu coração, suscetível músculo, bate assim, assim por azuis caminhos.
- Alaíde, desculpe a intimidade: amo você!

Gente grande

  Não tem essa de ‘‘a melhor faixa é tal’’ ou a ‘‘melhor performance é aquela’’. São todos sagrados: Leny Andrade, Nana Caymmi, Johnny Alf e Luiz Eça. Esse ‘‘povo’’ está reunido em ‘‘Uma Noite no Chiko’s Bar’’, que a Biscoito Fino (tinha que ser, né?) relança em CD 25 anos depois de idealizado. Gravado ao vivo. Quer dizer, direto sem burburinhos e palmas do público. Explicação: Chiko’s Bar, famosa casa noturna carioca, foi uma referência nacional nas décadas de 70 e 80 – passagem obrigatória, inclusive, de personalidades do jazz em visita ao país. A idéia de registrar em disco algumas apresentações de artistas brasileiros foi do produtor musical Carlos Andrade.
n Apresentações de praxe, vamos ao que interessa. Interessa tudo. Leny dando a alma em ‘‘Eu Te Amo’’, Nana despejando calor no bolero ‘‘Dejame Ir’’, mister Alf suingando em ‘‘Vem’’, Eça esmiuçando teclados em ‘‘Doplhin’’. Dez faixas, com reprises dos convidados em outras canções e temas. Repertório alinhado, parece até formar um conceito. O conceito talvez seja o requinte.

ANTENA

3 Rosa Passos foi escolhida para gravar CD e DVD ao vivo, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, para marcar os 25 anos de morte de Elis Regina. As datas prováveis: 17,18 e 19 de março de 2007. Terá participações especiais de Milton Nascimento, Hermento Paschoal e César Camargo Mariano (responsável por alguns arranjos). Rosinha faz milagres até quando revisita canções alheias.
3 Zeca Pagodinho já está dando na tampa! Vem ele, em outubro, com um novo Acústico MTV O projeto vem com o subtítulo ‘‘Gafieira’’. Hum! Formato da MTV esgotado, Pagodinho cada vez mais formatado para o sucesso fácil.

EU RECOMENDO

  Eu indico o primeiro álbum da Ná Ozzetti, de 1988, que acabou de ser relançado em CD. Não conhecia esse disco, só os trabalhos mais recentes dela. Achei fantástico porque já no primeiro disco a Ná Ozzetti se mostra uma intérprete muito peculiar. A voz dela é cristalina, sai com uma facilidade incrível. Além disso, ela apresenta versões para canções bem diferente das originais que conhecemos, como por exemplo ‘‘Sua Estupidez’’ (Roberto- Erasmo Carlos). Quem não não conhecia tem agora a oportunidade de ter contato com um bom disco. (Cristina Côrtes, jornalista e diretora da Rádio Universidade FM de Londrina)

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