FINA SINTONIA - Antônio Mariano Júnior
A música para mim é um sedativo, meu remédio. Cantar ainda é um remédio bom.
(Elza Soares)
- Príncipe do Samba, assim se referem a ele. Esquiva-se dizendo ser esse título de Roberto Silva.
- Oscar da Penha, o Batatinha, sambista dos tons menores, fez até música dizendo que o samba bem merecia ter ministério algum dia. E quem ocuparia a pasta? Ele. Esquiva-se igualmente.
- ''O samba não precisa de nada. O samba é uma coisa forte... O samba sempre incomodou demais e atravessou tudo. É um ritmo muito forte que, se dependesse da mídia, já teria desaparecido. Não desapareceu porque o nosso povo não deixa''.
- Disse isso com a elegância que só os nobres possuem. Majestoso Paulinho da Viola.
- Porque sim!
- Porque outro dia flagrei meu pai ouvindo e ensaiandos um passinhos de samba. Tava feliz da vida...
- Porque vai fazer 65 anos em novembro.
- Porque um samba dele me pegou outro dia e se arrasta como sombra minha fosse.
- Porque Paulinho da Viola canta de um jeito tão bonito... Leveza...
- Porque fez tantas coisas lindas, escreveu tantas coisas lindas.
- ''Afasta as sombras que vejo/ em teus olhos tão aflitos/ Você conhece minh'alma/ E quando quer me visita''.
- Tese de doutorado, tema de documentário e ele lá na paz dos discretos e sábios.
- E ainda diz assim, como se não quisesse saber da importância que tem: ''Eu sou apenas um vassalo do samba''.
- Tá legal, eu aceito o argumento.
- Faz um tempinho que não lança disco de inéditas. Quando achar que tem, será!
- Aos clássicos.
- Às raízes. ''Rosa de Ouros''. Zicartola. Os olhos calmos, apreensão... Cartola, Zé Ketti, Pixinguinha, Jacob do Bandolim.
- Assim, não comparando... Pagodinho tem valor? Tem. Viola tem mais sabor.
- Prisma luminoso. Tantas cores, azul, verde, amarelo, lilás.... Vermelho!
- E meu coração se deixou levar...
- Paulo César Batista de Faria.
- Não gosto tanto de samba. Gosto de bambas. De Paulinho adoro. E aí, vez em quando, na casa onde há o essencial e promessas projetadas nas paredes, há um pedido de alegria. Não descambada, desvairada, contumaz. Samba que vem com toda verdade.
- Solidão palavra cravada no coração.
- ''meu coração amante, enfrentou a tempestade''.
- 14 anos. Nara canta tão bem. Dona Santina e Seu Antenor.
- Qual a sua preferida?
- Num samba curto. Branco de Lufã a clarear a madrugada...Claríssima!!!
- Paulinho da Viola. A pergunta: ''Você gosta da rapaziada nova? A resposta: ''Tem coisas que me incomodam, mas o fato de eu não gostar de uma determinada coisa não me dá autoridade para dizer que aquilo é errado''.
- Lorde!!
- Em busca da batida perfeita. Bom disco de D2 que até então fazia muita fumaça verde e pouca música. Hoje esgotou-se na própria fórmula. Da Viola sampleado.
- Olha que a rapaziada está sentindo a falta de um cavaco, de um pandeiro de um violão.
- Paulinho quando canta e toca, toca. Quando canta, toca.
- A sofisticação harmônica prevalece sobre quem conduz a vida em compasso binário.
- Não muitas, confessa: pouco mais de 250 músicas.
- Põe dedos e voz em sambas alheios com autoridade monárquica.
- Acinzetaram minh'alma/ Mas não cegaram o olhar.
- Portela.
- Mangueira sempre!
- ''Pra semana... o sinal... Eu procuro você... vai abrir!! Prometo, não esqueço.. por favor, não se esqueça''.
- Moemá morenou.
- Códigos abertos. Sinal verde. Para absorção da alma, reflexões pulverizadas, pensamentos fragmentados. Cacos de alegria colados com saliva. Mas colados.
- Divagar é preciso. Há de se semear reflexões. Walmor lê e chama assim: marianices... Gosto disso!
- Vastas harmonias... Sarau para Radamés.
- Bebadosamba.
- Viola roda. Repeat. Assim o destino vai se cumprindo... Oi devagar, miudinho, devagarinho...
- Dadaísmo... Assim veio, assim permanece.
- Retiro.
- Nos momentos de carinho/ eu me desligo de tudo.
- O cetro é a viola.
- Majestade...





