- Um cutucou o outro: Ná vem! Lá vem a Ná! Telefone sem fio.

- Atiçam-se. Cê vai? Ela é boa? Adoro 'Capitu'. Quanto? Vai dar público? Tenho três. Tenho o primeiro. Gosto da época do Rumo. Só tem uma foto? Nós vamos, né? Show bom, tava na hora! Não vou perder. Não conheço muito. Já comprei os ingressos. Não são numeradas as poltranas? Filas, com certeza. Dois 'zês' e dois 'tês'? Um 'tê'? Dois! Acho que vou!

- Ná vem. Lá vem. A Ná lá. A Ná. Ana canta a Ná. 'Lá vai a Ná na Nave pra Lá'.

- Anos e anos atrás. Iaiá, minha pretinha amada: ''Júnior, telefone... Uma tal de Ná Ozzetti''. Rimos até hoje do fato de não ter ligado o nome à pessoa.

- Há quem funciona bem em disco. O mesmo que fica lá num canto da estante, visita bissexta. Há quem funciona melhor ao vivo e em cores. Um toma lá, dá cá. E Ná foi aplaudida. De pé!

- O fato, vamos lá: Ná Ozzetti, cantora e compositora paulistana, apresentou-se no último sábado à noite, no teatro Ouro Verde, em Londrina. Mais de 600 pessoas compareceram ao show em que a artista fez uma retropesctiva de sua carreira. Ná estava acompanhada do violonista Dante Ozzetti e Sérgio Reze (percussão). A promoção foi da Vectra Construtora.

- Assim não tem graça. Sem tesão não dá. O feito, vamos lá: Ná veio a Londrina e fez um show memorável. Tá, tudo bem, não poderia ser diferente em se tratando de uma das cantoras mais incisivas da música brasileira. Popular, assim cantorona de quermesse e das FMs viciadas, Ná né não! Ela trilha um caminho muito particular, vem do canto falado. Ná é a intérprete mais instigante da música brasileira. Espana convenções e estabelece referências estéticas. Para o presente, mas ao futuro se destina... Rumos!!!!!

- Ouro Verde em expectativa. Conivências. Assim, sem rasgar a cena, entra de mãos dadas com Dante e Reze. Palmas burocráticas. Um climão queria se assentar. Não!!!

- ''Vim cantar sobre essa terra/ Antes de mais nada aviso/ Trago facão, paixão crua/ E bons rocks no arquivo/ Tem gente que pira e berra/ Eu já canto, pio e silvo''

- Lindo, né?

- Estática quase. Poucos movimentos. Os olhos de Ná, as mãos de Ná...

- Ensaia um ''boa noite, Londrina'', tropeça nas palavras...

- Boa noite, Ná e companhia...

- Incrível a técnica dessa mulher. Voz desconcertante, timbre raro. Viajar é preciso na voz de Ná. Equilíbrio, terças, agudos propícios, graves tangentes.

- E foi ganhando o público aos pouco. Acho que para sempre! Uma pitada de humor na clássica ''Já Passou'', do Buarque. Risadas.

- LoveLeeRita. ''Juro que não vai doer se um dia eu roubar o seu anel de brilhantes/ Afinal de contas dei meu coração/ E você pôs na estante/ Como um troféu''

- ''Sua Estupidez'', desconstruída mais ainda que o original. Ná percorria espaços, mas o apoio primordial veio do violão de Dante - exímio, magnífico - e da percussão exata de Sergio Reze. Simbiose. Um sem o outro não funcionaria. Mas cá pra nós, Ná seguraria só no gogó privilegiado. Show inteiro. A mulher é um instrumento de sopro. De canto. De técnica. Mas de técnica capaz de emocionar.

- ''Meu bem, você tem que acreditar em mim/ Ninguém pode destruir assim, um grande amor''. Lilás a envolver. Cor solicitada por minha alma.

- Maria Cristina Ozzetti. Ná, apelido dado pela irmã mais nova. Aos quatro anos. Podia ser Má, mas ficou Ná!

- Tá!

- Ná e seus longos discursos escritos por Tatit. Dante. Wisnik. Assumpção. Precisão e memória. Inflexão e concentração. ''Só sonhei com você/ Pois não pude evitar (temos que sonhar)''.

- Crônicas. Muitas viagens. Breves caricaturas. ''Boneca de Piche''.

- A quem maiores informações faltam, saberia mostrar as amálgamas e se dar por satisfeita pela ''canjiquinha quente''? É... Não, Sinhô!!! Ná comeu o público. Foi bom, hum!!!!

- ''A Tardinha''... que coisa... Eu me comovi... Minhas turvas águas...

- ''A sucessão da natureza/ depende de você/ Pro sol nascer/ Pra clarear/ Entardecer''...

- Vou atrás. Eu quero. Preciso. Não posso viver sem. Bonito demais...

- Ná canta Carmen. Bizet. Miranda

- Ná canta o que bem entender.

- ''Ser feliz é bem possível/ a lua cheia me reduz a pedacinhos''

- Gestos.

- Todo mundo enluarado.

- Ser feliz é bem possível...

- E eu em pedacinhos, Ná!

- Fui na sua voz... mastiguei lentamente as letras. Li poesia. Vi achados. Não tem onde caiba.

- Ná, obrigado, viu?

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