Existem vizinhanças onde algumas pessoas se enchem de urticária só de imaginar um vizinho baterista. Mas, graças à uma tecnologia desenvolvida em Londrina, o estudo deste instrumento pode passar até despercebido.
E nem é preciso os vizinhos recorrerem a um abaixo-assinado ou os pais expulsarem o filho baterista para que o silêncio reine em casa. Apesar de já existirem no mercado outras baterias de treino, o simulador silencioso Goorila, desenvolvido em Londrina pelo músico Waldner Fernandez e a fábrica Revitec Kard, de Marcelo Breganó, chegou no que todos os bateristas ou os que convivem com eles sonham: o fim da barulheira.
Testada e aprovada por bateristas como Xande Tamietti, da banda Pato Fu, a bateria produzida em Londrina está sendo vendida para todo o Brasil, na Casa dos Bateristas, uma espécie de templo paulistano do instrumento e endereço onde todos os devotados às baquetas se encontram, e pelo site www.goorilabatera.com.
''A gente acha batera de borracha para estudar, mas eu não achava as existentes no mercado ideais. Então, eu fiz uma para mim. Ao mudar para São Paulo, os amigos comentavam que a bateria era bacana. Com a ajuda de Marcelo Breganó e algumas tentativas chegamos à Goorila'', conta Fernandez, que há três anos mora na capital paulista e que os londrinenses que curtem a noite conhecem do banda de heavy metal Subtera.
Um dos diferenciais em relação às baterias de treino já existentes é o movimento universal do conjunto de clamps (grampos) que segura os pads (almofadas), permitindo uma regulagem em qualquer posição.
Outras baterias também são feitas apenas de ferro e Espuma Vinílica Acetinada (EVA), o que não confere memória aos pads.
A Goorila tem uma camada de EVA de 10 milímetros e uma cobertura de látex de 3 milímetros. ''Isso proporciona um rebote das baquetas gostoso. Além disso, o músico terá uma bateria de treino para pelo menos uns 10 anos. Também pode tocar horas a fio que não sofrerá nenhuma lesão. É como um corredor. Ele precisa de calçados que absorvam bem o impacto. Com a bateria é a mesma coisa. O látex é um material bastante resistente e, por isso, é usado nas solas de sapatos'', avalia Fernandez, que chegou a substituir as baquetas por cabo de vassoura para testar a qualidade da Goorila.
A relação custo/benefício não chega a assustar. O novo simulador custa R$ 450, enquanto a média de preço dos outros é de R$ 350.
A batera, que tem uma estrutura toda em aço carbono galvanizado, o que a torna resistente, também é um instrumento que serve para os músicos aquecerem antes dos shows.
Quem convive com os bateristas aprova as inovações e pode aposentar de vez os protetores auriculares e chumaços de algodão nos ouvidos.

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