É certo que o horário nobre promove uma corrida das emissoras em busca de audiência. Isso, na maioria das vezes, costuma resultar em programas de qualidade, que deixam o telespectador dividido entre as produções. No entanto, o que ocorre aos domingos com os canais é uma mistura de falta de rumo com a dificuldade de encontrar um nicho para focar. O mais antigo deles, o "Programa Silvio Santos", aposta em uma fórmula "vintage" – que repete os moldes do "Topa Tudo Por Dinheiro" – para apresentar ao telespectador a descontração exacerbada do "dono do baú". E, por incrível que pareça, é o que tem se dado melhor no quesito Ibope. Sem novidade ou altos custos de produção, o "Programa Silvio Santos" tem uma média de 13 pontos. Em uma época que se preza mais pela forma do que pelo conteúdo, as produções têm se nivelado por baixo e se mostrado desgastadas e desinteressantes.
Se Silvio Santos vem desbancando a concorrência com competições entre famosos e pegadinhas, a Globo tenta correr atrás inovando na sua programação dominical. Após testar vários formatos, a bola da vez é o "SuperStar". O "reality show", que busca encontrar uma nova banda, tem um trio de jurados de peso – Ivete Sangalo, Dinho Ouro Preto e Fábio Júnior – e apostou em Fernanda Lima, que levantou a audiência da última temporada de "Amor & Sexo", André Marques e na carismática Fernanda Paes Leme na apresentação. No entanto, o programa sofre com a má fase do "Fantástico". A reformulação e nova roupagem da produção comandada por Tadeu Schmidt e Renata Vasconcellos tem amargado média de 16 pontos, que cai para 11 até o final do "reality". O "Fantástico", antes pautado por reportagens interessantes, agora é um misto de quadro infantil, com as "mazelas" de Dráuzio Varella e vídeos sobre o mundo animal. Até a parte esportiva, que antes brilhava com Tadeu, passou a ser piegas e sem graça. E não dá apenas para culpar a produção. O fim do "Domingão do Faustão", com pegadinhas (mal) gravadas da década de 1900, é quase um apelo para mexer no controle remoto.
Nos últimos anos, para o horário nobre dos domingos, a Record vem optando por uma cópia do "Fantástico". Nos mesmos moldes de "revista eletrônica", o "Domingo Espetacular" é recheado de reportagens mornas, mas com um foco maior no sensacionalismo, como é normal da emissora. A proximidade com o concorrente, a falta de opção e o acerto em algumas matérias investigativas fazem com que a produção apresentada por Paulo Henrique Amorim, Janine Borba e Thalita Oliveira mantenha uma média de 12 pontos. Muito atrás, vem o "Pânico na Band". Com piadas que até eram engraçadas na época em que a trupe de Emílio Zurita habitava a Rede TV!, o humorístico não chega a incomodar e marca apenas 5 pontos. Sem um forte concorrente para se pautar ou sem grandes ideias para fugir da "zona de conforto", os programas de domingo acabam antecipando a depressão do início da semana e afugentando os telespectadores da tevê aberta.

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