Fim de ano tem guerra de desenhos nas telas
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quarta-feira, 02 de dezembro de 1998
Guto Barra Planet Pop-AE 
Os últimos meses de 1998 devem ficar marcados como o período da guerra dos desenhos animados no cinema. Pela primeira vez na história, a Disney enfrenta uma forte concorrência de outras produções que vêm conquistando o público norte-americano, em uma temporada que tem a disputa de bilheteria de Formiguinha Z, Vida de Inseto, O Príncipe do Egito e Rugrats, the Movie. Enquanto a briga dos estúdios esquenta nos bastidores - em que milhares de profissionais trabalharam em esquema de guerra para terminar cada produção - o público agradece a variedade de opções deixando milhões de dólares nas bilheterias.
A batalha dos filmes de animação foi impulsionada principalmente pela briga entre Jeffrey Katzenberg e a Disney, onde ele trabalhava até 1994. A DreamWorks, estúdio que ele montou com Steven Spielberg e David Geffen, não só decidiu seguir em frente com a idéia de produzir Formiguinha Z mesmo sabendo dos projetos da Disney em relação a Vida de Inseto, como também acelerou a finalização do épico bíblico Príncipe do Egito. O processo envolveu acusações de vazamento de informações e de que Katzenberg roubou da Disney a idéia de um desenho sobre insetos.
Embora tenham certas semelhanças, os dois filmes têm conceitos diferentes. Enquanto Formiguinha Z (em cartaz no Brasil desde novembro) tem um caráter mais adulto, em parte por conta das participações das vozes de Woody Allen e Sharon Stone, Vida de Inseto (que tem estréia prevista para 18 de dezembro nos cinemas brasileiros) foi feito pela mesma equipe de Toy Story, em que apenas um personagem, o grilo vivido por Kevin Spacey, tem quase três mil controles de movimento. As duas produções parecem ter convencido o público: Formiguinha Z já arrecadou mais de US$ 80 milhões nos Estados Unidos em sete semanas, enquanto Vida de Inseto estreou no feriado prolongado de Ação de Graças, na semana passada, com um faturamento de US$ 46,5 milhões.
Se os dois filmes sobre insetos pareciam sucesso certo, a outra megaprodução da DreamWorks parece mais arriscada. O Príncipe do Egito, que foi concebido por Katzenberg como um filme que misturasse o estilo de Claude Monet com a fotografia épica de Lawrence da Arábia e os traços do ilustrador do século 19 Gustave Doré, tem um conteúdo mais adulto e não vai se beneficiar da propaganda proporcionada pelas promoções com redes de fast-food ou lançamento de produtos temáticos. O filme, que inclui trechos como o afogamento do exército do Faraó e o aparecimento do Anjo da Morte, está sendo promovido por três trilhas sonoras, das quais participam astros da música country, gospel e rhythm & blues, além do dueto de Mariah Carey e Whitney Houston, When You Believe.
Se o público anda gostando da variedade de opções, o trabalho em desenhos animados passa a ser uma ótima opção para as estrelas de Hollywood. O número de horas de trabalho costuma ser bem menor do que o de um filme convencional (para os atores) e não há desgaste de imagem. Depois que até Woody Allen aceitou o desafio (ele disse que resolveu participar de Formiguinha Z porque Katzenberg promoteu que seriam apenas cinco dias de trabalho), é difícil imaginar que alguém não aceite participar de um desenho animado. Em termos de elenco, O Príncipe do Egito é o mais poderoso, com as vozes de Steve Martin, Sandra Bullock, Jeff Goldblum, Michelle Pfeiffer, Val Kilmer, Patrick Stewart, Danny Glover e Martin Short.
Correndo por fora na guerra dos desenhos vem Rugrats, the Movie, baseado em um dos maiores sucessos do canal infantil Nickelodeon, da Paramount. O desenho sobre um grupo de bebês que se comunica sem que os adultos entendam é exibido nos Estados Unidos há nove anos. Criado por um dos animadores originais dos Simpsons, Rugrats se transformou em um franchise internacional de bilhões de dólares, que deu origem a produtos temáticos (livros, brinquedos e roupas) e um musical que viajou por várias cidades do mundo. O longa-metragem de US$ 25 milhões estreou nos cinemas americanos há duas semanas e já faturou US$ 58 milhões.
Com tantas opções na área dos desenhos, quem acabou sofrendo foi o leitão australiano Babe. A segunda parte da saga do porco falante que queria ser cachorro, Babe: Pig in the City, arrecadou apenas US$ 8,5 milhões em sua estréia, valor bem abaixo do esperado.


