Filósofo francês exalta as vantagens da feminilidade
O filósofo francês Gilles Lipovetsky está comprando uma boa briga com as feministas, por conta de seu novo livro - La Troisieme Femme - Permanence et Révolution du Féminin (A Terceira Mulher - Permanência e Revolução do Feminino), lançado em Paris pela Editora Gallimard. Para escrever as 300 linhas de seu polêmico trabalho, ele passou cinco anos pesquisando, levantando dados estatísticos, estudando comportamentos, e chegou a uma conclusão que vai na contramão do que pregam as feministas desde os anos 60: a feminilidade é um poderoso aliado da mulher na busca pela ascensão social.
No caso dos homens, o poder, a fama e o dinheiro podem substituir um físico pouco privilegiado, mas isso não significa nada no caso das mulheres, escreve o autor, acrescentando que elas colocam a boa aparência acima de tudo e se tornam cada vez mais femininas, mas também mais independentes.
O autor lembra que, na Idade Média, a mulher era considerada fruto de uma ação do diabo, sua imagem era associada à da tentação. No Renascimento, a situação melhorou um pouco, mas ainda assim a mulher era tida como mais habilitada às artes de tecer e fiar do que de pensar. Nestes dois períodos elas sempre permaneceram subordinadas ao homem. Já no terceiro, mais recente, muitas portas se abriram e continuam sendo abertas, sem que elas abram mão da feminilidade, escreve o autor. E cita alguns dados estatísticos:
A venda de cosméticos na França saltou de 3,5 bilhões de dólares em 1973 para 28 bilhões em 93.
Quatro em cada dez francesas têm vontade de emagrecer, principalmente por causa da estética.
Há cinco mil produtos dietéticos à venda, na França.
As clínicas especializadas em emagrecimento faturam, em média, US$ 10 bilhões por ano.
Ainda segundo o autor, que esteve no Brasil em outubro de 97 para fazer uma série de palestras nas quais ele criticou o que define como obsessão vitimista das feministas, a preocupação com a estética tem suas razões e é fundamental na corrida pela ascensão social. Os homens gordos são sempre descritos como bonachões e simpáticos, mas a mulher obesa perde espaço nos terrenos sentimental e profissional, compara.





