A última vez que um livro de filosofia desceu das alturas para conquistar principiantes de todas as idades, virou best-seller. Lembram-se de ''O Mundo de Sofia'', do norueguês Jostein Gaarder, lançado em 1995 no Brasil? Ali, os leitores mergulhavam numa divertida trama ficcional para serem introduzidos aos principais sistemas de pensamento dos pré-socráticos aos contemporâneos.
Até hoje, o livro é procurado e discutido entre os jovens. A coleção Passo-a-Passo, que a editora Jorge Zahar está lançando nesta temporada, não traz a mesma concepção mas o objetivo é o mesmo: abrir as portas do saber para os leitores de primeira viagem. Em formato de bolso, os volumes da série trazem textos didáticos em linguagem acessível. Contam ainda com material de apoio tais como cronologia, sugestões de leitura, glossário e trechos de livros dos pensadores comentados.
O pacote dos cinco títulos iniciais é dedicado à filosofia, ao qual se seguirão exemplares voltados para as ciências sociais e psicanálise. A idéia é publicar cinco livros por semestre. Todos os autores são professores universitários. O gaúcho Denis L. Rosenfield disseca as linhas gerais do pensamento de Hegel, um dos pais do idealismo alemão e do método dialético.
Nelson Boeira desvenda a obra de Nietzsche, talvez o mais inflamável filósofo de todos os tempos. Um fragmento do potencial explosivo do pensador pode ser apreciado no seguinte trecho selecionado pelo autor: ''Os fracos e os fracassados devem perecer: primeiro princípio do nosso amor ao ser humano (filantropia). E deve-se mesmo ajudá-los nisso. O que é mais nocivo que qualquer vício? A compaixão (piedade) ativa por todos os fracassados e fracos o cristianismo''.
Ainda na coleção, a professora da Universidade Federal do Paraná Maria Isabel Limongi aborda as idéias de Thomas Hobbes, considerado o pai do conceito moderno de Estado. Ao longo das 82 páginas, seu pensamento político é confrontado ao de Kant e Rousseau, o que permite ao leitor acompanhar a consolidação e os fundamentos da noção de cidadania.
A célebre Escola de Frankfurt ganha destaque na coleção com o volume ''Adorno & Horkheimer A Dialética do Esclarecimento'', de autoria de Rodrigo Duarte. Aqui abre-se a discussão em torno de um livro, no caso o clássico ''A Dialética do Esclarecimento'', escrito pelos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer.
Duarte salienta que não houve nenhum episódio marcante da vida moderna que não tenha sido uma exemplificação das teses principais expostas naquela obra, das duas guerras mundiais (com suas consequências, como os regimes totalitários) à guerra fria, da queda do Muro de Berlim aos atentados terroristas nos Estados Unidos, em setembro do ano passado.
Essa seria uma das razões pelas quais, segundo ele, o volume publicado em 1947 pode ser considerado para além de sua profundidade filosófica ''um poderoso instrumento para a compreensão de importantes fenômenos da atualidade, por mais desconcertantes que eles possam parecer à primeira vista''.
Completando o pacote de estréia, o professor Claudio Costa tenta introduzir os leitores à disciplina ''Filosofia da Linguagem'', partindo das contribuições de Frege, Bertrand Russel, Wittgenstein, Austin e Habermas. Para o próximo semestre já estão programados os lançamentos de ''Hegel & A Fenomenologia do Espírito'' (de autoria de Paulo Meneses), ''Heidegger'' (Zelyko Loparic), ''Heidegger & Ser e Tempo'' (Benedito Nunes), ''Hobbes & a Liberdade'' (Júlio Bernardes) e ''Nietzsche & Para Além do Bem e do Mal'' (Oswaldo Giacóia).
Os títulos estão à venda a R$ 13,50 cada.

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