A um passo da nova década, é um bom momento para o Festival Internacional de Londrina (Filo), que abre as portas para um panorama mundial das mais diversas expressões artísticas, abrir as próprias janelas para a renovação de ar.
''Realmente precisamos dar uma reinventada nesta história. O Filo mantém o público, mas percebo que falta alguma coisa, um novo impulso, uma nova proposta. Precisamos fazer um projeto mais ambicioso ou mais direcionado para algumas linguagens. Precisamos fazer alguma coisa para o festival ser diferente de outros festivais''.
A inquietação é do diretor do Filo, Luiz Bertipaglia, que há 20 anos faz parte da equipe de organização.
Para fazer a curadoria do Filo, Bertipaglia já visitou os mais importantes festivais, como os de Avignon, Chile, Buenos Aires e Espanha, além de todo o circuito brasileiro. Mesmo assim o evento não escapa de surpresas - para o bem ou para o mal - como ''Guerra'', da Emilia Romagna Teatro Fondazione - Compagnia Pippo Delbono, da Itália, aplaudida por 15 minutos na estreia, e encenações pífias, como ''O Pato Selvagem'', da Cia Les Commediens Tropicales, de São Paulo.
Para garantir uma virada na próxima década, o diretor pensa em abrir uma discussão com a sociedade. Assegurando que os conceitos do evento não serão modificados, ele quer novas propostas.
Com um público estimado em 90 mil espectadores e um orçamento em torno de R$ 1,5 milhão, o Filo é um dos festivais que mais tem recursos no circuito nacional.
No entanto, terá que se preocupar com outras questões além da financeira, como a mudança do público consumidor de cultura.
''A proposta do Filo é essencialmente cultural. Não fazemos um festival exclusivamente para divertimento, o que limita o público. Hoje, as pessoas querem sair para se divertir, mas trazemos espetáculos para o espectador também chorar, se emocionar e pensar'', afirma o diretor.
Bertipaglia diz que a opção por não realizar mais o Cabaré do Filo faz parte da proposta de assegurar também a essência do evento.
Aos órfãos do Cabaré, ele explica que, originalmente, foi criado para oferecer boa música e um espaço cênico, de criação e intercâmbio, o que nas últimas edições em que foi realizado não cumpriu o objetivo, se transformando numa espécie de casa de shows.
Aos críticos da inclusão de espetáculos como o paulistano ''Doido'', de Elias Andreato, que percorrem o circuito de festivais do país, Bertiplagia responde: ''Geograficamente, os festivais estão longe um do outro e não dá para fugir de espetáculos como o do Andreato, que estão bem posicionados no cenário. Isso acontece com duas ou três peças. Situação similar à de ''Neva'', do Teatro en el Blanco, do Chile. Não existe um pacto entre os organizadores''.
Ele também justifica a inclusão de grupos locais: ''Não podemos deixá-los de fora. Temos que dar espaço para o pessoal daqui. Somente o Festival de Belo Horizonte consegue reunir mais grupos internacionais que o de Londrina. Não podemos deixar de fora os locais. Nós oferecemos as mesmas condições para os londrinenses e os estrangeiros. Dos 18 inscritos da cidade, selecionamos 14 grupos. No orçamento do evento não faz diferença. Não dá para tirar 10 locais e colocar um internacional. A conta não fecha'', afirma Bertiplagia.

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