MUDANÇA -

FILO tem nova gestão e depende de apoio para acontecer

Organização diz que agora é hora da comunidade local mostrar se o festival é, realmente, importante para a cidade

Marian Trigueiros - Grupo Folha
Marian Trigueiros - Grupo Folha

Nova gestão do FILO é coletiva e visa abrir caminhos diante de um cenário político-cultural adverso
Nova gestão do FILO é coletiva e visa abrir caminhos diante de um cenário político-cultural adverso | Marian Trigueiros



“A edição dos 50 anos do FILO (Festival Internacional de Londrina) só tem chances de acontecer se a comunidade de Londrina, principalmente os empresários, se envolverem”, sentencia Maria Fernanda Coelho, produtora cultural e uma das integrantes da nova comissão gestora do evento. Formada por representantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina), da Àmen (Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná) e produtores culturais da cidade, a equipe foi criada para gerenciar a crise pela qual passou o festival, cuja edição do ano passado foi cancelada por falta de recursos financeiros. “É uma estrutura de gestão coletiva e colaborativa que visa abrir novos caminhos e soluções diante do novo cenário político nacional que não prioriza a cultura.”


Segundo os integrantes da comissão – os quais trabalham todos de forma voluntária - um novo cronograma de ações já foi estabelecido e o grupo corre contra o tempo na fase de captação de recursos emergenciais. A previsão de data para a realização do evento é de 15 de agosto e 1 de setembro de 2019. “Um grande aceno que aguardamos é por parte do Governo Estadual, via Secretária de Estado da Cultura. O novo secretário, Hudson José, e a superintendente, Luciana Pereira, firmaram o anúncio de posição no final deste mês de abril”, diz Jackeline Seglin, integrante da comissão. Ainda assim, se houver repasse, não se sabe como este será feito e, muito menos, sobre valores que, certamente, ficarão aquém do montante necessário de cerca de R$ 1,4 milhão.





O município, por meio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), disponibilizará R$ 350 mil, via Lei Municipal de Incentivo à Cultura, único recurso certo. Segundo o diretor da Àmen, Luiz Bertiplagia, a resposta do Estado se faz necessária para que o evento tenha garantias mínimas de execução e prospecção de curadoria. “Diante do histórico do festival, não há como fazermos algo menor. Contudo, além do Estado, precisamos de mais parceiros. Essa é a hora da comunidade local mostrar se o festival é, realmente, importante para a cidade. Se não existe interesse para o empresário, então talvez não exista mais sentido para a cidade, infelizmente”, destacou.


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. | FILO/Divulgação/Milton Doria



Além do novo modelo de gestão, o grupo prepara uma remodelação no formato do evento, com o retorno de atividades que já foram realizadas em décadas anteriores, como os projetos socioculturais para o desenvolvimento da economia criativa. De acordo com a integrante Patricia Braga Alves, as ações do grupo também apontam para a extensão do festival, principalmente em outras cidades do Estado, transformando a região num grande corredor cultural. “Essa medida vai ao encontro da política estadual de interiorização da cultura. O FILO sempre levou a grade de espetáculos e oficinas para outras cidades, mas isso tende a se intensificar.”



OUTROS FESTIVAIS

Na contramão da grande maioria dos festivais de teatro realizados pelo Brasil e que também foram suspensos ou cancelados no ano de 2018, a última edição do Festival de Curitiba teve um orçamento estimado de R$ 11 milhões. No entanto, o formato do FILO, conforme os integrantes da nova comissão, não caminha no mesmo molde ou curadoria curitibana, que prioriza espetáculos mais comerciais, além de eventos paralelos de gastronomia. “Historicamente, as capitais sempre conseguem mais recursos. Porém, aqui, realizamos um conceito totalmente diferente de festival. Jamais faremos algo parecido com Curitiba, isso está totalmente descartado”, adiantou Bertiplagia.



GOVERNO DO ESTADO

Em recente passagem por Londrina, o secretário de Comunicação e Cultura, Hudson José, afirmou que colocaria o assunto “FILO” em pauta na próxima reunião da pasta como prioridade, mas sem garantir valores específicos ao evento. Já a superintendente Luciana Pereira disse que a gestão vai priorizar a otimização dos agentes e estruturas que demandam aporte fixo do Estado como MON (Museu Oscar Niemeyer), Teatro e Balé Guaíra e Orquestra Sinfônica do Paraná. Segundo ela, como não há previsão de recurso para ser aplicado diretamente nos eventos do Estado, uma das alternativas seria a contrapartida de participação desses agentes nos eventos de todo Estado, bem como o intercâmbio de espetáculos em todo Paraná.

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