Em fase de seleção dos grupos de teatro convidados, a organização do Festival Internacional de Londrina (Filo) se prepara para tentar superar vários desafios nesta que será a 46ª edição do evento. Mudança de cronograma devido à Copa do Mundo, busca por patrocínios e resolução para diversos problemas enfrentados no ano passado fazem parte da lista de tarefas a serem executadas nos próximos meses. Além disso, o festival está na mira do Ministério Público (MP), que investiga uma acusação de desvio de verbas, em processo que corre em segredo de justiça.
Devido à Copa do Mundo e às eleições presidenciais, em 2014 o festival que tradicionalmente acontece entre os meses de maio e junho teve a data de realização alterada. "A 46ª edição do Filo será realizada entre os dias 22 de agosto e 7 de setembro", adianta o diretor do evento, Luiz Bertipaglia.
Segundo ele, atualmente os organizadores do festival estão em busca de patrocínio. "No ano passado fizemos um orçamento de R$ 1,9 milhões e conseguimos levantar R$ 1,4 milhões. Apesar disso conseguimos manter a qualidade do festival e realizamos mais de 100 apresentações artísticas. O orçamento de 2014 deve girar em torno do mesmo valor de 2013", afirma.
Bertipaglia acredita que o montante de patrocínio arrecadado não sofrerá nenhuma redução pelo fato da Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná (Àmen), entidade organizadora do Filo, estar sendo investigada pelo MP por desvio de verbas. "Estamos trabalhando normalmente na organização da próxima edição do Filo e nos colocamos à disposição do Ministério Público para qualquer esclarecimento que acharem necessário", enfatiza.
Além dessa acusação, a organização do Filo enfrentou outro problema com a justiça no ano passado. A Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor abriu um inquérito civil público para apurar se havia prática abusiva na cobrança de 15% de taxa sobre o valor do ingresso do Filo vendido pela internet, e o Procon chegou a suspender a comercialização dos convites.
No entanto, uma liminar obtida no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) garantiu a retomada das operações. "Estamos avaliando uma maneira de aperfeiçoar a venda eletrônica, mas não pretendemos deixar o sistema de lado, pois ele possibilita que pessoas sem condições de ir à bilheteria tenham acesso aos ingressos", afirma Bertipaglia.
A falta de organização na produção do Cabaré também foi alvo de inúmeras críticas, principalmente em relação às longas filas para compra de bebidas e mau atendimento ao público que prestigiou o evento. "Tentamos inovar terceirizando a produção do Cabaré. Reconhecemos que o resultado não foi positivo e ainda estamos avaliando a melhor forma de resolver essa questão para que o mesmo problema não volte a acontecer. Nossa intenção é continuar promovendo o Cabaré, mas a realização dos shows, como sempre, vai depender da obtenção de patrocínios", argumenta o diretor.
A divisão do cronograma do Filo em três etapas também foi alvo de críticas. O festival foi aberto no mês de junho com a peça "Esta criança" com a Companhia Brasileira de Teatro; a segunda fase, que reuniu diversos grupos, aconteceu em agosto, e o evento foi encerrado em dezembro com duas apresentações solo do ator Cacá Carvalho em "umnenhumcemmil", substituindo a já anunciada apresentação de "A Marca da Água", da Armazém Companhia de Teatro. "Tratava-se da edição comemorativa dos 45 anos do festival e não queríamos que o evento ficasse restrito a apenas duas semanas. Avaliamos essa divisão em três momentos como bastante positiva. Não vamos fazer dessa forma este ano devido à Copa do Mundo e às eleições, mas não descartamos a possibilidade de repetir a experiência futuramente", afirma Bertipaglia.

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