FILO DEVERÁ TER FORMATO REVISTO
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quarta-feira, 19 de julho de 2000
Jackeline Seglin De Londrina 
Um mês após o término do Festival Internacional de Londrina Filo 2000, a diretora artística do evento, Nitis Jacon, fez ontem um balanço do evento. Em entrevista coletiva, ela avaliou o festival e falou da continuidade de alguns dos Projetos de Maio. Nitis Jacon justificou não ter feito o balanço antes por estar resolvendo problemas pessoais.
Uma das críticas ao Filo este ano se refere ao novo formato do evento, realizado em 48 dias, mesclando apresentações e projetos com a comunidade. O grande espaço de tempo, o reduzido número de atrações artísticas e a ausência do Cabaré seriam fatores responsáveis por uma desmobilização do público, estimado este ano, pela organização, em 50 mil pessoas (no ano passado a estimativa foi de 120 mil espectadores). Os organizadores somaram ainda 1.500 participantes nos 22 Projetos de Maio.
A diretora disse ter assimilado as críticas, mas ressaltou que a experiência teve seu lado positivo. Não vimos a efervescência dos outros anos, no entanto, o festival teve uma abrangência geográfica e social maior. Para o ano que vem, a organização espera resolver a atual situação financeira e, então, projetar o Filo 2001 com base nessa avaliação. Vamos fazer também numa programação para não frustrar expectativas das pessoas envolvidas nos projetos, completou.
Nitis Jacon se referiu principalmente aos nove Projetos de Maio que demonstraram um potencial de continuidade e que contam com assessoria e suporte técnico do Filo. A Oficina de Circo, por exemplo, proporcionou um intercâmbio dos estudantes de Artes Cênicas da UEL que estão no Rio de Janeiro fazendo curso com a Escola Nacional de Circo.
Hoje, o vídeo Uma Luta de Todos, produzido durante o Filo na Oficina de Linguagem Audiovisual do Movimento Sem-Terra, será lançado às 19 horas, na Cinemateca de Curitiba. Também estamos fazendo reuniões com pessoas do assentamento Dorcelina Folador, onde o vídeo foi produzido, para dar continuidade a atividades culturais mais diversificadas.
Outro projeto citado é a Oficina de Moda com a Associação de Mulheres do Jardim União da Vitória. Segundo a diretora, as participantes deram continuidade ao projeto e ainda poderão contar com apoio da Cooperativa de Artesãs e Costureiras da Rocinha (RJ), que deve receber incentivos da Fundação Rockfeller para dar assessoria a projetos similares.
Também estão na lista dos projetos em andamento o Palhaço Sem Fronteiras, realizado no Núcleo de Convivência do União da Vitória, o Educação Para a Paz, e as oficinas Itinerantes de Artes Plásticas, Expressão Corporal, Palhaços na Penitenciária e Teatro na Terceira Idade.
Orçado em R$ 1,3 milhão, o Filo 2000 está com um déficit de R$ 350 mil, referentes aos recursos prometidos pelo Governo do Estado (R$ 200 mil) e pela Sercomtel, através da Lei Rouanet (R$ 150 mil), e que ainda não foram repassados. Nitis Jacon questionou a demora na liberação da verba da Sercomtel, já que o convênio com o Filo está para ser assinado desde abril.
Ontem, a diretora recebeu a notícia de que a auditoria da prefeitura aprovou o pagamento e que a assessoria jurídica do município já estaria encaminhando o parecer à Procuradoria Geral. Anteontem, o prefeito Jorge Scaff me disse que, passada essa instância jurídica e mediante o parecer do procurador, ele determinaria a liberação da verba na sexta-feira, contou. Quanto aos recursos do Governo do Estado, Nitis Jacon comentou que, embora atrasada, a liberação depende apenas da assinatura do governador Jaime Lerner.
A diretora do Filo aproveitou a entrevista para criticar a possibilidade de extinção da Secretaria Municipal da Cultura fato que ela considera um abuso. Na sua opinião, o fechamento da pasta seria um equívoco fatal. Se alguém der continuidade à proposta haverá uma reação absolutamente escandalosa. Cortar por que, se a Cultura é essencial e subsidiária. A Cultura passa por todas as outras áreas, não só teatro e música. É muito mais que isso.


