Para criar uma Helene Weigel, mulher e principal intérprete dos papéis femininos de Bertold Brecht, Esther Góes venceu grandes diferenças. A atriz brasileira encontrou a militante política alemã e sua interpretação foi reconhecida até pela biógrafa, Sabine Kebir, que assistiu a estreia do monólogo ''Determinadas Pessoas - Weigel'', no Rio de Janeiro. A peça abre oficialmente o Festival Internacional de Londrina (Filo) hoje, às 20h30, com reapresentação amanhã, no Teatro Ouro Verde.
Um minucioso trabalho removeu as características pessoais da atriz brasileira para erguer, sobre essa sólida estrutura de um dos grandes nomes do teatro, TV e cinema nacionais, a figura da companheira de Brecht.
Ariel Borghi, filho da atriz com o ator Renato Borghi, fundador do Teatro Oficina com Zé Celso Martinez Corrêa, grupo que revolucionou a arte teatral brasileira, é o responsável pela direção que desbastou delicadamente o material humano - a atriz e mãe Esther Góes - até conseguirem dar forma e vida a Weigel.
O monólogo é uma das opções deste segundo dia da maratona de mais de 100 apresentações de 34 produções brasileiras, oito infantis e 16 espetáculos de 14 grupos de Portugal, França, Espanha, Itália, Turquia, Alemanha, Estados Unidos, Uruguai, Chile e Argentina.
A organização do festival optou por vender ingressos em dois lotes, o que facilitou e agilizou a compra, mas não evitou a corrida pelos bilhetes. Uma das estreias de hoje, com reapresentações amanhã e domingo, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, a comédia portuguesa ''A Tempestade'', da Cia. do Chapitô, não tem mais ingressos.
Chapitô já se apresentou no festival e volta com uma adaptação de um texto shakespeareano. Para alguns, a versão pode parecer uma heresia ao abrir mão da palavra. Porém, apenas de um livro e um pano preto, os três atores fazem aparecer Próspero, Duque de Milão, Miranda e outros personagens da ilha encantada povoada de espíritos e mostros.
Outro espetáculo que está com os ingressos esgotados é ''The Cabinet'', dos estadunidenses da Redmoon Theater Company. Inspirado no ''O Gabinete do Dr. Caligari'' (1919), filme clássico do expressionismo alemão, do diretor Robert Wiene, marionetes, atores, animação e teatro de sombras levam o público a quase um transe na atmosfera claustrofóbica de um manicômio, onde um sonâmbulo cai nas mãos de um médico maníaco que obriga os pacientes a quebrarem todos os códigos de ética e moral.
Criada em Chicago (EUA), em 1990, a companhia conquistou reconhecimento internacional pelo experimentalismo de diversas linguagens.
Outra atração deste fim de semana é a premiada ''Memória da Cana'', adaptação livre de ''Álbum de Família'', de Nelson Rodrigues, pelo Os Fofos Encenam, com direção de Newton Moreno.
Com três indicações para o Prêmio Shell de Teatro nas categorias direção, cenário, figurino e iluminação, a peça levou as duas primeiras, sendo que o diretor dividiu melhor cenário com Marcelo Andrade.
Para os próximos dias, outros destaques, como a Companhia Marta Carrasco e o espetáculo ''Dies Irae, En El Réquiem de Mozart'', e ''Guerra'', da Companhia Pippo Delbono.
Os latinos também comparecem com boas surpresas: La Cuarta Coletivo Artístico (Uruguai) e ''Gatomaquia''; o Teatro En El Blanco (Chile), com duas montagens,''Diciembre'' e ''Neva'', e Mike Amigorena (Argentina), com ''La Noche Antes que Los Bosques''.

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