Depois de ficar um ano sem edição – justamente quando completava meio século – o Filo – Festival Internacional de Londrina comemorou seus 50 anos + 1 com uma edição que teve como um de seus principais protagonistas o público que lotou salas de espetáculos, demonstrando a importância do evento para cidade.

Durante mais de duas semanas, quase dez mil pessoas compareceram aos 27 espetáculos apresentados no Teatro Ouro Verde, em salas e espaços alternativos e na rua, num total de 39 apresentações.

Na manhã desta segunda-feira (2), a organização do FILO realizou uma entrevista coletiva para fazer um balanço do evento. O encontro contou com a participação do secretário municipal de Cultura, Caio Julio Cesaro, com a diretora de Eventos, Cultura e Relações com a Sociedade da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Zilda Aparecida Freitas de Andrade, a diretora da Casa de Cultura da UEL Maria Helena Ribeiro Bueno, a chefe da Divisão de Artes Cênicas da UEL, Laura Franchi e as integrantes da comissão organizadora do Festival, Maria Fernanda Coelho, Patrícia Braga Alves e Patrícia de Castro Santos.

ESPETÁCULOS

A diversidade de linguagens, presentes na programação do Filo, se manteve em 2019, com produtores de qualidade que levaram ao público importantes reflexões. A abertura do evento contou com o espetáculo “A Cabeça Gosta de Pensar, mas os Passos Tecem a Existência', que lotou o Teatro Ouro Verde e levou o público a refletir sobre a urgência de construir, coletivamente, um ambiente em que seja possível conjugar liberdade e amor.

O retorno do Lume Teatro, de Campinas, com o espetáculo ”Kintsugi, 100 Memórias”, também atraiu o público e fez com que os ingressos esgotassem rapidamente. Do Rio Grande do Norte, o Grupo Carmin voltou ao palco londrinense com duas apresentações de “A Invenção do Nordeste”. O Filo ainda teve participação dos curitibanos da Súbita Companhia de Teatro com o espetáculo “Habitat – 6 Solos”.

A programação também contou com espetáculos para o público infantil, visando a formação de público. Dois espetáculos abriram uma sessão extra para atender a grande procura do público: “O Pássaro Azul”, do Cirko Volonte, de Londrina e “O Menino e os Sortilégios”, do Pequeno Teatro do Mundo, de Bragança Paulista.

Os grupos londrinenses marcaram grande presença na programação, com “Chega de Saudade”, do coletivo AntiQua4Rio, “Poéticas de Terra e Céu”, de Murilo Andrade, “Costuras Poéticas pelo Fio da Voz”, de Renato Forin Jr. Os espetáculos de palhaço atraíram grande público em apresentações em espaços ao ar livre – Palhaço Ritalino no Zerão e Cia. Os Palhaços de Rua na Praça Nishinomiya. A montagem “Balada de um Palhaço”, de Plínio Marcos e “Transtornada Eu”, com a Cia. Translúcidas, também marcam a lista de grupos londrinenses que passaram pelo evento. Além disso, o grupo Proteu, após uma pausa de 20 anos, retornou este ano ao palco do Ouro Verde com “Tango”.

O festival também contou com atrações internacionais: “Quiero Decir te Amo”, do grupo Humo Negro, da Patagônia, e “Vinte Mil Léguas Submarinas”, do grupo italiano Potlach. Este ano, o FILO programou junto à Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da UEL uma série de oficinas e uma conferência voltadas a atores, bailarinos, performers, artistas e estudantes de artes cênicas, que reuniram cerca de 100 participantes.

Este ano, o Filo contou mais uma vez com protagonismo do público que lotou teatros e espaços abertos
Este ano, o Filo contou mais uma vez com protagonismo do público que lotou teatros e espaços abertos | Foto: Fotos: Fábio Alcover/ Divulgação
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PARALELAS

O FILO também abriu espaço para a realização de atividades de formação para jovens atores e foi palco de debates sobre o Festival e sua relação com a cidade. Nesta edição, a organização do FILO foi realizada por uma comissão que busca ampliar os olhares e democratizar a cultura.

Mesas e rodas de conversa marcaram a programação dos Fóruns do FILO 2019. O “Curando - Fórum de Curadores” reuniu, durante três dias, um grupo de profissionais da área de artes cênicas com o objetivo de apresentar ideias, conceitos e propostas para a linha curatorial da próxima edição do FILO 2020.

Um debate ativo e aberto, que continua depois do encerramento do FILO 50+1, com a pesquisadora e performer Stela Fischer, o jornalista e crítico Valmir Santos, o dramaturgo e diretor Marcos Damasceno, o ator e professor Ney Piacentini, o professor Mauro Rodrigues, o ator e produtor Rogério Costa.

Os convidados realizaram mesas e demonstrações de trabalho abertas ao público, e depois participaram de uma conversa com produtores culturais de Londrina, que apontaram questionamentos e fizeram sugestões para as próximas ações do FILO.

Já no fórum “Festivais em Transe”, representantes de festivais que acontecem na cidade durante todo o ano se reuniram para trocar ideias, experiências e ações. O resultado foi a criação do Núcleo dos Festivais de Londrina, cujas ações incluem a integração entre os eventos, um calendário articulado e a realização de uma mostra conjunta no final do ano.

O resgate da presença do FILO nas comunidades também foi discutido, com o Fórum “De Volta a Maio”. A proposta é traçar estratégias para promover um mapeamento dos projetos socioculturais desenvolvidos na cidade até 2010, retomando algumas ações e implementando novos projetos pelas regiões de Londrina.

A ideia de fazer do FILO um festival de todos e para todos se reflete nas propostas para as próximas edições. De acordo com Maria Fernanda Coelho e Patrícia Braga Alves, da comissão organizadora, o festival deverá estar presente durante todo o ano no calendário de eventos culturais de Londrina. Dessa forma, o FILO passa a atuar como promotor ou co-promotor de espetáculos ou, ainda, fomentando residências artísticas e intercâmbios entre artistas e alunos do curso de Artes Cênicas da UEL.

(Com assessoria de imprensa)

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