Foi com "Fio Maravilha", música de Jorge Ben (hoje Benjor), que a cantora Maria Alcina entrou para a história da música popular brasileira. Ela a interpretou no Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em 1972, surpreendendo público e jurados com sua voz grave, roupas coloridas e performance esfuziante.
Atualmente com 65 anos, a artista festeja seus 40 anos de carreira com a turnê do CD "De Normal (Bastam os Outros)", lançado no final do ano passado, reunindo canções de compositores como Zeca Baleiro, Arnaldo Antunes, Karina Buhr, João Bosco & Aldir Blanc e Adoniran Barbosa. A turnê passa nesta sexta-feira por Londrina, onde ela faz show aberto às 19h30 na Concha Acústica, como atração musical do 46º Festival Internacional de Londrina (Filo).
No palco ela mostra as faixas do CD, intercaladas com músicas mais conhecidas de sua carreira. Seu show mais recente na cidade foi em 2009, no bar Valentino, quando empolgou a plateia acompanhada por músicos locais. Desta vez, virá com uma banda formada por músicos que participam do novo disco. No mês passado, eles gravaram um show no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, para o DVD previsto para março de 2015.
A trajetória da cantora reflete o percurso de boa parte dos artistas da MPB oriundos dos festivais. Quando cantou "Fio Maravilha" no Maracanãzinho, sua alegria contrastava com a atmosfera sombria que impregnava a política e os bastidores da cultura, sufocados pela ditadura militar. Na época, foi vítima da censura.
Posteriormente, viveu duas décadas de semi-ostracismo, a exemplo de colegas de MPB, todos colocados à margem do mercado pela sucessão de estilos musicais hegemômicos, como o pop rock, pagode e sertanejo. Não foi totalmente esquecida porque manteve-se na mídia, atuando como jurada de programas de auditório de TV.
Só nos anos 2000, com as possibilidades abertas pela internet, ela recuperou espaço e renovou seu público. Em 2009, foi aclamada com o álbum "Maria Alcina Confete e Serpentina", que lhe rendeu troféus nas categorias Melhor Cantora e Melhor Álbum no Prêmio da Música Popular Brasileira. A seguir, leia entrevista que a cantora concedeu por telefone à FOLHA 2.

mockup