Inspirado em texto homônimo de Monteiro Lobato (escrito em 1920), o espetáculo "Negrinha", do Coletivo Em Cor (São Paulo/SP), mostra as ambiguidades da abolição por meio dos olhos de uma criança de sete anos, personagem principal dessa história repleta de preconceito e questionamentos. A montagem, que estreou em 2007, será apresentada hoje e amanhã, às 21 horas, na Biblioteca Pública, como parte da programação do 46º Festival Internacional de Londrina (Filo), que segue até o dia 7 de setembro. Com a proposta de mexer com os sentidos dos espectadores, que se sentam próximos ao palco, a montagem utiliza recursos sensoriais, como o cheiro de ervas e a luz de velas para recriar o ambiente cênico que favorece à imersão no universo da personagem. Fruto de uma extensa pesquisa conceitual, que busca abordar de forma criativa e inovadora a questão racial do Brasil durante a abolição da escravatura, o espetáculo foi desenvolvido a partir de um "jogo de cores", mesclando luz e sombra, o cruel e o delicado, o real e o imaginário.
No monólogo da atriz Sara Antunes, que tem direção de Luiz Fernando Marques, a história de uma menina órfã aos sete anos, nascida na senzala, e que sofria abusos de sua patroa. Sem nome e sem futuro, "negrinha" é um espectro de um Brasil que a história oficial não revela e que tem muito a dizer. Caracterizado como um trabalho artesanal, "Negrinha" prima pelo preciosismo das palavras, pelos objetos e figurinos, para realçar novas nuances dessa história.
Chamada pelo apelido que identifica a sua raça, no diminutivo, a personagem tem afeição pelas cores, em especial pelas das pessoas, e acaba também por chamá-las pela forma como as vê, ressaltando dessa forma a crítica social presente no texto: o preconceito da cor. Interpretado por uma atriz branca, a montagem também faz um contraponto interessante, buscando mostrar a beleza das cores longe do preconceito.
Segundo a atriz Sara Antunes, em material de divulgação, a montagem surgiu do seu interesse em debater a origem das questões raciais no Brasil por meio do teatro como forma de resgate da história do País. Formada em filosofia e arte dramática, Sara Antunes é uma das fundadoras do renomado Grupo XIX de Teatro, de São Paulo, no qual permaneceu por mais de oito anos e se desligou em 2008.

SERVIÇO
"Negrinha", de Coletivo Em Cor (São Paulo/SP)*
Quando – Hoje e amanhã, às 21 horas
Onde – Biblioteca Pública (Av. Rio de Janeiro, 413)
Quanto – R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia-entrada)
Pontos de venda – Bilheteria do Filo (R. Mato Grosso, 310 – Royal Plaza Shopping), das 10h às 22h (segunda a sábado) e das 11h às 20h (domingos e feriados) e pelo site www.diskingressos.com.br
* Ingressos esgotados.

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