FILO 2014 - Marias cheias de vida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Quatro mulheres. Quatro "Marias". Quatro histórias cheias de vida. Com sensibilidade e uma proposta inovadora e intimista, a Companhia As Graças, de São Paulo, estreia na programação do 46º Festival Internacional de Londrina (Filo) com o espetáculo "Marias da Luz", que será apresentado gratuitamente hoje e amanhã, às 16 horas, no Museu Histórico de Londrina (a apresentação de sábado estava anteriormente prevista para acontecer na Praça Rocha Pombo/Museu de Arte). A trilha sonora, composta por canções populares, deverá ser executada por um grupo de músicos da cidade. Com Daniela Schittini, Eliana Bolanho, Juliano Gontijo e Vera Abbud no elenco, está é a 14ª criação coletiva do grupo, que está em atividade há 19 anos.
Ambientado na antiga estação ferroviária da cidade, a montagem deve mexer com a emoção do espectador, principalmente entre as mulheres. Resultado de uma longa pesquisa feita com pessoas frequentadoras do Parque da Luz, em São Paulo, inclusive prostitutas, a montagem propõe um recorte artístico para falar da questão feminina pelo viés do abandono e pelos diferentes caminhos da vida. O Parque da Luz, fundado em 1978, é o mais antigo de São Paulo.
A atriz Eliana Bolanho, que dá vida à personagem Maria Pequena - prostituta que foi abandonada na infância pela mãe conta sobre o processo de pesquisa para a montagem. "Costumávamos fazer nossos espetáculos no Parque da Luz quando nos demos conta de que as pessoas que rotineiramente frequentam aquele espaço também poderiam render uma boa história. Aquilo lá é uma São Paulo em miniatura, cheia de imigrantes e pessoas de profissões diversas. Montamos algumas intervenções dentro dessa proposta, como a de uma barraca em que a partir de uma história relatada por uma pessoa do local, oferecíamos uma canção", destaca a atriz.
Diante de tantas histórias diferentes de pessoas comuns, as das mulheres e prostitutas acabaram por chamar mais a atenção, o que definiu o tema da montagem. A partir de depoimentos gravados em vídeo ou áudio, em evidência histórias de solidão e abandono mescladas com uma força inerente de sobreviver e reconstruir a própria vida, mesmo diante de condições adversas. Além da história de Maria Pequena, a montagem traz à tona as histórias de vida de Mariana, jovem de 1912 que foi abandonada grávida pelo noivo; a de Marivânia, que procura a filha desaparecida, e a da fotógrafa Marileide/Biguá, que registra e interage com as histórias.
Indo na contramão do que seja óbvio, a direção do espetáculo foi feita pelo diretor convidado e estudioso teatral André Carreira, de Santa Catarina, que desenvolve pesquisa na área do "teatro de invasão", em que a arte "invade" o cotidiano das pessoas para quebrar paradigmas e propor reflexões, sendo que normalmente "Marias da Luz" é apresentado em espaços públicos, surpreendendo os transeuntes, que demoram perceber que estão fazendo parte de uma encenação teatral.
SERVIÇO
"Marias da Luz", da Cia. As Graças (São Paulo/SP)
Quando Hoje e amanhã, às 16 horas
Onde Museu Histórico de Londrina (R. Benjamin Constant, 900)
Quanto Gratuito


