Filo 2012 na reta final
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
Ao completar amanhã 23 dias de intensa programação artística, que contabilizou 126 apresentações em espaços fechados, além de 35 apresentações gratuitas em ruas, praças e locais públicos de grupos nacionais e de sete países, o 44º Festival Internacional de Londrina (Filo) chega com sucesso, apesar das dificuldades, ao final de uma edição atípica: a primeira desde a sua criação sem o Teatro Ouro Verde, que não pode ser utilizado devido ao incêncio ocorrido no dia 12 de fevereiro deste ano.
Sob o tema ''Amou a memória, eterna memória'', o festival aproveitou para reforçar a importância da valorização dos espaços culturais por parte da comunidade londrinense, que de certa forma demonstrou a falta que o Ouro Verde faz: para este ano a estimativa de público está sendo fechada em aproximadamente 60 mil pessoas, 25% a menos que as cerca de 80 mil pessoas do ano passado.
''Com certeza essa é uma demonstração da falta que esse espaço faz, mesmo que tenhamos tentado contornar com outros espaços alternativos. Fizemos três espetáculos no Teatro Marista (com sete sessões ao todo), mas mesmo assim não é igual ao Ouro Verde, que é a 'nossa casa''', salientou o diretor Luiz Bertipaglia, em entrevista coletiva realizada ontem, afirmando também ainda não ter detalhes concretos sobre a reconstrução do Ouro Verde até dezembro do ano que vem, como chegou a ser ventilado em um discurso ocorrido na abertura do festival, no dia 8.
De qualquer forma, a maioria dos espetáculos do Filo contou com boa participação do público. Entre os destaques, a emocionante montagem ''Translunar Paradise'', do grupo inglês Theatre Ad Infinitum; o texto poético e contundente de Newton Moreno sobre a intolerância e o preconceito, em ''Agreste'', da Cia. Razões Inversas, de São Paulo; e a performance madura e consciente de Denise Stoklos, no espetáculo de abertura ''Preferiria não?'', inspirado em texto de Hermann Melville que trata sobre a liberdade de escolha individual e as relações de poder.
Para a edição dos 45 anos do festival, em 2013, Bertipaglia adianta que deverá ser necessário viabilizar mais um espaço alternativo de maior capacidade de público: ''talvez um barracão no Centro'', comentou. O festival também voltará ao formato reduzido, de no máximo duas semanas e meia, podendo ser realizado de 13 a 30 de junho. ''Este ano foi algo mais experimental e achamos que as coisas ficaram um pouco dispersas. O formato mais curto parece que garante uma efervescência maior ao evento'', avaliou.
Outra novidade que deve agradar principalmente aos frequentadores mais assíduos do festival - que reclamam das filas para compra de ingressos - é a venda antecipada de ingressos via internet. ''É uma solicitação antiga das pessoas e que já queremos por em prática no ano que vem; destinando uma parcela dos ingressos para ser vendida na bilheteria e na hora do espetáculo'', garantiu.
Sobre a realização para o ano que vem do cabaré, que não foi realizado neste ano devido à redução de patrocínio, Bertipaglia não soube adiantar, já que cada ano depende de uma nova negociação para a obtenção de recursos. ''Há uns dez anos trabalhamos com uma média de R$ 1,4 milhão e não conseguimos aumentar esse teto. Na verdade, o que precisamos é de uma lei de incentivo estadual, que parece que irá ser concretizada até o ano que vem'', pontuou.
Para 2012, o Filo contou com o orçamento de R$ 1,050 milhão; desse total R$ 450 mil foi proveniente da Petrobras, R$ 350 mil da Prefeitura de Londrina e R$ 200 mil da Caixa Econômica Federal, entre outros. Cerca de R$ 300 mil a mais eram esperados para este ano: R$ 150 mil de um convênio da Universidade Estadual de Londrina com a Fundação Nacional de Artes (Funarte) - que acabou não ocorrendo devido a uma inadimplência do Governo do Estado - e R$ 150 mil que foi cortado do patrocínio com a Petrobras.
Para o ano que vem, Bertipaglia destacou que espera intensificar a programação infantil, as atividades formativas e os projetos socioculturais com a participação de companhias nacionais e internacionais. ''A nossa ideia é que os grupos com trabalhos de repertório fiquem um período maior no festival para poderem apresentar vários dos seus espetáculos e ter um intercâmbio maior com a comunidade'', afirmou, satisfeito com a conclusão de mais uma edição.


