FILO 2011 - O lado grotesco da vida em 'As Três Velhas'
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
Grande diva do teatro brasileiro, a atriz Maria Alice Vergueiro, conhecida do público jovem pelo curta-metragem de ficção ''Tapa na Pantera'', sucesso da internet, participa pela terceira vez do Filo, agora com o melodrama grotesco ''As Três Velhas''. Em sua companhia vem o restante do elenco original da montagem, composto pelos atores Pascoal da Conceição, Luciano Chirolli (Prêmio Shell de Melhor Ator em 2010) e Marco Luz. As apresentações acontecem de hoje a domingo, às 21h, no Teatro Filo. Os ingressos estão esgotados.
Baseado no texto homônimo do chileno Alejandro Jodorowski - que tem ascendência judaica -, a peça aborda de forma tragicômica a vida de três velhas decadentes à beira da loucura. Ao tratar de tabus como pedofilia, zoofilia e incesto, escancara os meandros das relações humanas e de classes, com enfoque no tom social. No Filo deste ano, o mesmo texto foi apresentado pela Cie. Point Zero, da Bélgica, que apresentou uma versão talentosa da montagem com o teatro de bonecos ''Trois Vielles''. As duas versões do texto - nunca antes encenado - estrearam em 2010.
Além de dramaturgo, Jodorowski é cineasta e tarólogo, e Maria Alice Vergueiro destaca que no seu texto há um tom místico que na versão belga não ficou tão evidente. Responsável pela direção da peça - onde também atua como a criada centenária Garga -, ela conta que inicialmente não pensava em atuar na peça, sendo que acabou cedendo à pressão do grupo. ''Estou com um problema neurológico que afeta o meu equilíbrio e na peça irei usar uma cadeira de rodas, que foi adaptada perfeitamente ao roteiro da montagem'', adianta a atriz que está com 76 anos.
Na versão brasileira, Maria Alice garante que as sutilezas do trabalho de ator poderão ser percebidas em uma peça ''quase de câmara''. ''E fico muito feliz de poder levar esse trabalho ao Filo, que conta com um público iniciado'', afirma.
Extremamente apegadas ao passado, no decorrer da peça as personagens vão tomando consciência das suas ações, onde há a revelação de segredos assombrosos guardados a sete chaves. ''Com a quebra dessa força centrípeta, há a possibilidade da vida ganhar movimento, mesmo que para isso haja um processo de dor'', explica Maria Alice. ''No fundo, é uma peça otimista, mas sem ser moralista. Precisamos rir um pouco da insignificância da condição humana'', acrescenta.
Ressaltando o tom místico do texto, ela conta que a trilha da peça também tem como proposta levar o espectador a um diálogo interior. ''A peça também fala da velhice, que para mim pode ter tanto o sentido de sabedoria e dádiva quanto amargura e ressentimento. Eu opto por tentar renascer sempre e procuro me por disponível aos mais jovens para que possa aprender com a nova geração'', conclui.
Serviço:
- As Três Velhas, do Grupo Pândega/Maria Alice Vergueiro (São Paulo/SP). * Ingressos esgotados.
Quando - De hoje a domingo, às 21h
Onde - Teatro Filo (R. Cuiabá, 39)


