FILO 2011 - A decupagem do fazer teatral
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quinta-feira, 09 de junho de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
O ''terceiro sinal'' que antecede o início dos espetáculos teatrais do mundo inteiro - e que normalmente demarcam o ''frio na barriga dos atores'' e avisam o público que as luzes vão se apagar... - dá nome ao monólogo que a consagrada atriz Bete Coelho, da Cia. BR 116 (SP), apresenta amanhã, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, dentro da programação nacional do Festival Internacional de Londrina. A direção é de Ricardo Bittencourt.
Adaptado do texto autobiográfico do jornalista Otávio Frias Filho, incluído no livro ''Queda Livre'' (2003), a versão dramatúrgica é um espetáculo de metalinguagem, onde os limites da encenação cênica são investigados a fundo a partir da experiência que Filho teve ao atuar na montagem rodrigueana ''Boca de Ouro'', dirigido por José Celso Martinez Correa em 2000.
''Quando li o texto, fiquei muito emocionada com a capacidade dele de sistematizar e decupar o fazer teatral com tanta objetividade e sensibilidade, fazendo ainda uma análise apurada do teatro brasileiro'', destaca a atriz e diretora teatral, também contratada da Rede Record. ''Além disso, Filho consegue devolver ao teatro seu lugar de destaque e considerei fundamental transpormos isso cenicamente, o que foi um grande desafio'', acrescenta.
Inicialmente Bete conta que achava que a montagem iria interessar apenas públicos mais específicos da área teatral, mas, após um ano da estreia em São Paulo - incluindo apresentações no interior de São Paulo e do Rio Grande do Sul - tem constatado que a peça consegue ter um alcance cada vez mais amplo.
''O texto é bem interessante e aborda como a atuação teatral envolve uma série de coisas, como o texto decorado, o estado interno do ator, o trabalho vocal, a relação do corpo com o espaço, o gestual, a luz, os elementos cênicos, sendo tudo intercambiado em um circuito só, que é o ator'', explica Bete.
Pela primeira vez em Londrina, Bete - que já atuou em algumas edições do Festival de Teatro de Curitiba -, afirma que sempre teve vontade de participar do Filo e que considera a montagem extremamente propícia para a proposta do evento. ''A minha expectativa é que tenhamos a casa cheia e que possamos propiciar um nível de discussão que o teatro merece'', ressalta.
A Cia. BR 116 nasceu em 2006, quando Contardo Calligaris e Ricardo Bittencourt decidem investigar a masculinidade nos tempos modernos, unindo-se, em seguida, à atriz Bete Coelho e à diretora de arte e cenógrafa Flávia Soares. Antes de dirigir Bete Coelho em ''O Terceiro Sinal'', Ricardo Bittencourt atuou no monólogo ''O Homem da Tarja Preta'', de Calligaris, dirigido por ela em 2009.
O grupo valoriza a parceria com pessoas de diferentes áreas da cultura - profissionais experientes e reconhecidos - e enfatiza a investigação criteriosa dos seus conteúdos para um mergulho no universo do teatro brasileiro contemporâneo.
Ficha Técnica
Direção - Ricardo Bittencourt.
Classificação - Teatro adulto.
Faixa Etária - Livre.
Serviço:
- O Terceiro Sinal, monólogo com Bete Coelho, da Cia. BR 116 (SP)
Quando - Amanhã, às 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde (R. Maranhão, 85)
Quanto - Ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada para estudantes a partir de 11 anos, idosos, professores das redes municipal e estadual, servidores da UEL, servidores municipais, alunos das escolas municipais de teatro e de dança, portadores do cartão, funcionários e força de trabalho da Petrobras. Clientes Unimed têm desconto de 40% e Clientes da Caixa Econômica, de 20%.
Pontos de Venda - Bilheteria do Royal Plaza Shopping (R. Mato Grosso, 310), das 10h às 19h, e na bilheteria do teatro uma hora antes do espetáculo.


