FILO 2007 - O OUTRO LADO do festival
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sábado, 09 de junho de 2007
Guilherme Borges<br> Reportagem Local 
Quem, nos próximos dias, cruzar com um guindaste, toneladas de terra ou 200 pares de sapato transitando pelas ruas centrais de Londrina, não estranhe. Lembre-se de que o FILO mal começou e até o final do mês a equipe de produção do festival ainda terá muito o que fazer. ''Principalmente as companhias internacionais precisam que a gente providencie o material para as peças. Para se ter uma idéia, uma caixa de oito metros de altura por 12 de largura, toda envolta com um pano vermelho nós tivemos que construir'', destaca um dos responsáveis pela organização e produção do evento, Paulo Braz.
Nesta semana, por exemplo, o grupo colombiano L'Explose Danza Contemporanea preencheu o palco do Teatro Ouro Verde com cinco toneladas de terra, mais alguns sacos de pó de serra. Pediu 200 pares de sapato e um revólver, sem balas, é claro. ''Os sapatos nós conseguimos com o Lar Anália Franco e a Paróquia Nossa Senhora dos Apóstolos. O problema é que tinha que ser em pares e de calçados velhos'', ressalta a coordenadora de produção, Michelli Figueiredo.
Em relação à arma de fogo, a produção teve que envolver a Polícia Federal e a Militar para conseguir o esperado - e importante para o espetáculo - tiro. ''Hoje nem revólver de brinquedo não pode subir mais no palco, então tivemos que conseguir uma autorização das polícias para que pudéssemos criar o efeito do tiro. Foi usado um sistema de espoletas, que só faz barulho. São alguns segundos em cena que levaram dias de trabalho para poder ocorrer, mas que tinham que ser feitos para criar o universo que a peça pedia. A idéia é sempre oferecer o melhor ao público'', enfatiza Braz.
Nas duas próximas semanas, um guindaste capaz de subir cerca de 70 toneladas, 40 metros acima do solo, deve ser montado - montado mesmo, porque ele vem separado em peças menores - no pátio do Museu de Arte, no Centro da cidade. Trata-se de uma peça-chave para o espetáculo francês ''Mobile Homme'', ao ar livre, que começa às 19 horas do dia 23 (sábado), em frente ao Ouro Verde e termina com os atores suspensos feito um móbile humano. ''Além de alugar e ter que montar o guindaste, temos que ter a companhia dos policiais militares escoltando as atores enquanto eles se deslocam pelas ruas centrais'', lembra o organizador.
Ainda tem as equipes de legenda, que providenciam tradução para as peças em outras línguas, a equipe de apoio e de acompanhantes, que levam e trazem atores e atrizes por toda Londrina. Quem pensa que todo esse pessoal acha ruim tanto trabalho, se engana. Pelo menos para Paulo, que há mais de 20 anos trabalha na organização do FILO, o importante é possibilitar a magia do espetáculo. ''Somos em cinco que trabalhamos durante todo o ano. Próximo ao festival vamos aumentando a equipe e, ao todo, chegamos a cerca de 130 pessoas trabalhando, sendo 45 na técnica. Tudo para preparar e adaptar os espaços de Londrina para que as peças possam acontecer com toda a grandiosidade que têm''.


