A 39 edição do Festival Internacional de Londrina (FILO), que será realizada de 6 a 23 de junho, não deverá ser uma viagem por mares nunca vistos das grandes experimentações mas, nem por isso, menos surpreendente ao incluir na programação espetáculos de grupos com trabalhos importantes de pesquisa.
É o caso do Galpão, de Belo Horizonte (MG), que apresentará ''Pequenos Milagres'', e de diretores consagrados, entre os quais Aderbal Freire-Filho, com a peça ''O Púncaro Búlgaro'' - uma empreitada teatral sem tirar o pé de cima do texto.
A opção por montagens que já têm aval de crítica e público não significa que o mais antigo festival teatral da América Latina deixou de sondar a cabeça de autores, grupos e diretores, que se jogam na correnteza criativa. Porém, está apostando na qualidade artística das montagens.
''Creio que a programação deste ano está bastante consistente. Não estamos fazendo grandes experiências teatrais, mas buscamos trazer montangens que têm boa aceitação de público'', acrescenta o diretor do FILO, Luiz Bertipaglia.
''La Miranda del Avestruz'', da Companhia L'Explose, da Colômbia, segue nessa direção e, por sinal, é um dos dois únicos grupos latinos a se apresentarem nesta edição, abrindo a programação do festival dia 6, às 20h30, no Teatro Ouro Verde.
O espetáculo de dança contemporânea deverá ser um dos que mais trabalho dará para a equipe de produção, que vai ter que cobrir o palco com terra para recuperar uma história coletiva de um país em degradação.
''Pequenos Milagres'', do Grupo Galpão, nos dia 16 e 17, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, é um dos espetáculos que peneira a pesquisa teatral, deixando passar também a boa aceitação de público. A edição 2007 espera lotar as salas de apresentações com um total de 100 mil pessoas, que assistirão 40 companhias de 10 países.
A montagem dirigida por Paulo de Moraes marca os 25 anos do grupo mineiro que em seu trabalho de pesquisa inclui a participação de diretores convidados.
A roda do experimentalismo dá mais uma volta e o público do festival poderá conferir nos dias 8, 9 e 10, no Teatro Marista, a peça ''Amores Surdos'', do também mineiro ''Espanca!''. Os londrinenses já provaram do excelente trabalho do grupo que, além do FILO, se apresentou no Fringe, em 2005, conquistando prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e o Shell de melhor dramaturgia com ''Por Elise''.
Aliás, as três apresentações do grupo mineiro, como as de outras companhias que sobem ao palco mais de uma vez no festival, é uma correção de rumos da organização, que pretende evitar o corre-corre do público de um teatro para o outro, com riscos de perder algumas apresentações.
Além dos nacionais, a Companhia do Latão, e diretores como Aderbal, Luiz Valcazaras, com a peça ''Abre as Asas Sobre Nós'', que rendeu Prêmio Shell de melhor autor para Sérgio Roveri, a programação internacional do festival deixou de fora o teatro novo argentino.
Dentro da grade destaques para os russos do Derevo, uma das companhias mais respeitadas em seu estilo de atuação, que traz o espetáculo ''Ketzal'' de forte impacto visual.
Os belgas do Le Compagnie des Chamins de Terre e a peça ''Le Polichineur de Tiroirs'' também devem chamar a atenção com o teatro de objetos, restaurando o Calçadão com sonhos.
''Mobile Homme'', da companhia francesa Transe Express também deve parar o Calçadão ao colocar percussionistas e uma trapezista a 40 metros de altura, suspensos por um guindaste.
Pela primeira vez no Brasil, a Big Dance Theatre, de Nova York, apresentará no festival o espetáculo ''The Other Here'', mesclando dança, teatro, música e design, pegando carona nas clássicas histórias do escritor japonês Masuji Ibuse.
O festival não ficará somente no público adulto e, mais uma vez, no Zerão, reserva a Mostra Infantil Palco Petrobras, que abrigará 12 apresentações de seis companhias do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

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