O Festival Internacional de Londrina (FILO) já realizou mostras paralelas com grupos locais, mas ao abrir o mesmo espaço na programação ao lado dos nacionais e internacionais - nesta edição nove espetáculos da cidade serão apresentados - o evento contribui para uma circulação maior das produções.
A maioria dos espetáculos produzidos em Londrina e apresentados no FILO já foi vista pelo público londrinense - com gratas exceções, como a estréia nacional dia 9, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, de ''Decalque'', coreografia de Leonardo Ramos para o Ballet de Londrina.
Na outra ponta, uma discussão, que não é nova entre público, atores e produtores, é que as produções locais ficam pouco tempo em cartaz e depois desaparecem.
Thaís D'Ambronzo, que dirige ''Foi Tarde'', espetáculo de formatura dos alunos do Curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que estreou em 2006 e será reapresentado dia 9, às 21 horas, na Usina Cultural, reconhece a importância do festival para a circulação, mas cobra uma política cultural mais consistente e que garanta vida longa às produções.
''Contribui para a circulação, mas acaba sendo uma ação um pouco isolada, somente acontecendo no FILO. Não temos uma política cultural que acredite na produção e circulação de espetáculos. Só o festival abre essa oportunidade. Às vezes, trabalhos excelentes se apresentam uma vez e morrem. Também pela falta de estrutura'', afirma Thaís, que é professora de Artes Cênicas na UEL, um dos sete cursos de instituições de ensino superior paranaenses, que obtiveram conceito máximo (cinco) no Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade).
Thaís não acredita que a participação no FILO abra outras portas. Na sua avaliação, os grupos londrinenses ainda não recebem o mesmo tratamento que os internacionais e de outros cidades brasileiras.
''Não creio que abra portas porque é somente uma apresentação. O público que assiste é daqui. Participo do festival desde 1999 e nunca abriu outra porta. Os grupos locais deveriam ter o mesmo respeito que os que vêm de fora'', avalia a diretora.
Thaís dirigiu a montagem dos formandos da UEL, uma pesquisa inspirado na peça ''A Morta'', do modernista Oswald de Andrade, em que os atores trabalham com a proposta de não-ação.
A peça mostra uma outra cara do festival: a oportunidade para que os grupos e estudantes de teatro londrinenses mostrem o que vêm pesquisando.
Espaço que outro grupo de alunos da UEL também está aproveitando para discutir elementos da vida humana, através da cultura pop na peça ''Num Quarto Vermelho'' dia 7, às 20h30, no Circo Funcart.
O espetáculo cênico-musical ''Santeria - O Caminho dos Santos'', do grupo Santeria, que será apresentado dia 22, às 19 horas, na Concha Acústica, põe na mesma roda santos e entidades, mergulhando também num trabalho de pesquisa para mostrar ainda a arte do cancioneiro popular.
''Diria que o FILO é a grande força para os produtores locais porque Londrina se torna uma grande vitrine. A cidade inteira vive arte. Outro dia, por exemplo, eu fui numa pastelaria e uma senhora japonesa, que normalmente não iria ao teatro, estava com um panfleto do festival e, consequentemente, se um grupo da cidade está na programação será visto por uma camada da população, que não tem acesso a isso'', comenta Edna Aguiar, do Santeria.
Edna discorda da opinião dos que acham que os grupos locais têm tratamento diferenciado em relação aos estrangeiros. ''No que diz respeito à estrutura física, eu nunca tive problema. É a terceira vez que participo do festival e sempre fui tratada muito bem. Não senti nenhuma diferença em comparação com os grupos de fora. Esse ano, inclusive, estamos recebendo um cachê legal'', afirma Edna.
São montagens que conseguem ainda dialogar com outras expressões artísticas. Uma chance de estudantes e profissionais de áreas como a música e designer de moda mostrarem o seu trabalho no FILO, a exemplo do músico José Carlos Pires, que compôs a trilha sonora, e André Lima e Ariane Takagui, que fizeram os figurinos de ''Foi Tarde''.
Apesar de concentrar em apenas pouco mais de duas semanas de festival, alguns dos trabalhos que já foram apresentados na cidade, a programação local do FILO também tenta dar conta da variedade da produção londrinense, berço de grupos importantes, como o Armazém Companhia de Teatro, radicado no Rio de Janeiro, e Cemitério de Automóveis, em São Paulo.
Dentro dessa variedade, o FILO apresentará a peça ''Em Busca de suas Criaturas'', da Companhia Teatro de Garagem, com direção de Everton Bonfim, dia 23, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo. É a segunda montagem do grupo, com trilha sonora tocada ao vivo.
Não são somente a música, o teatro e a dança, que fazem da programação de espetáculos locais do FILO, que representam a diversidade das manifestações artísticas produzidas na cidade, mas a arte circense também abre as suas cortinas no festival.
A programação traz, o trabalho de gente que fez escola no circo, como a Trupe Tangará, que vai apresentar dia 14, às 20h30, no Circo Funcart, o espetáculo ''Tumba & Para''.
Carlos Tangará é herdeiro de uma família tradicional circense, formando novos artistas que sonham com a arte milenar, reinventada pelos chamados novos circos.
Para fechar essa programação, o festival ainda preparou um circuito de shows no Bar Valentino, sempre às 22h30, representando a parte festiva do FILO - uma canja da produção musical londrinense.
Entre os destaques, o ''Especial Clara Nunes'', com a Banda Samba Sim no dia 13. A Banda US9 será a atração do dia 14, com o show ''Black Music Anos 70 e 80''.
Para o dia 20, o programa no Valentino é ''Samba, Tatiana Valle e Banda Zazuera''. A programação de shows do FILO no bar inclui ainda o ''Especial Rita Lee'', com Sabrina Vargas e Indayana Oliveira.

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