De 6 a 23 de junho, Londrina foi palco de grandes espetáculos teatrais durante o FILO 2007. O que nem todo mundo se dá conta é que essa efervescência cultural também proporciona encontros inusitados. É o caso do diretor norte-americano Paul Lazar, do Big Dance Theatre, ator hollywoodiano que já integrou o elenco de filmes como ''O Silêncio dos Inocentes'', ''Filadélfia'' e, mais recentemente, ''O Hospedeiro'', filme coreano que teve curta temporada no Brasil.

No espetáculo que o grupo apresentou em Londrina nos dias 11 e 12 de junho - ''The Other Here'' - a mistura de várias linguagens se intercomunicam para questionar alguns valores da vida moderna.

Bem-humorado, Lazar, depois de um encontro com estudantes de teatro de Londrina, teve um bate-papo exclusivo com a Folha2 em que falou um pouco mais sobre a sua trajetória no cinema comercial, o contato com os grandes atores e as suas impressões sobre o Brasil. Confira abaixo os melhores trechos.

Como iniciou a carreira cinematográfica e qual a experiência de atuar com grande atores, como Jodie Foster, Anthony Hopkins?
Bem, tudo começou quando eu estava trabalhando em uma pequena companhia de teatro, em Nova York, provavelmente menor do que a minha atual companhia, e o diretor Jonathan Demme me viu em cena. Ele gostou muito da minha performance e me convidou para integrar o elenco de um dos seus filmes, ''Married to the Mab'' (''De Caso com a Máfia''), uma comédia sobre a máfia, que eu fiz em 1987. Jonathan Demme é um grande diretor de filme e a maneira como ele trabalha é a seguinte: se ele gosta de um ator, ele o utiliza cada vez mais em seus filmes, não somente em um único filme. Então, eu tenho estado em muitos dos seus filmes desde aquela época, como ''Filadélfia'' e ''O Silêncio dos Inocentes''. O interessante é que a partir do momento que comecei a trabalhar com eles muitas outras oportunidades começaram a surgir, e um das mais recentes e excitantes é um filme obscuro e brilhante que se chama ''The Host'' (''O Hospedeiro''), de 2006. É um filme koreano e que teve pouca exibição no Brasil. Às vezes, eu também sou convidado para trabalhar para filmes de televisão, que também é excitante e eles pagam bem, o que me ajuda a ser capaz de fazer o meu trabalho no teatro, como o que eu estou apresentando em Londrina.

No filme ''O Silêncio dos Inocentes'' você interpreta o personagem Pilcher Dan, daria para dar mais detalhes sobre ele?
Ele é um cientista especialista em insetos. Ele participa de uma pesquisa para ajudar a detetive interpretada por Jodie Foster a resolver o mistério relacionado à atuação do serial killer Buffalo Bill (intepretado pelo ator Ted Levine). No filme, além do trabalho de pesquisa, eu tento iniciar um romance com ela, mas não dá certo. É uma cena engraçada do filme, que na maior parte é muito assustador (risos).

E como foi trabalhar com Jodie Foster, Anthony Hopkins?
Em um filme nem sempre você entra em contato com as estrelas. No caso, eu tive mais contato com a Jodie Foster porque ela estava em cena comigo e ela é uma pessoa adorável. É muito simples, não é esnobe. Muito inteligente, acessível, humilde... se você não soubesse que ela é uma famosa atriz de cinema, ela não se importaria e nem faria nada para chamar a atenção. Ela tem uma mente intelectual brilhante, mas é amável e humilde. Hopkins eu acabei não conhecendo. Quem é realmente muito engraçado e ótimo de se conviver é o ator Hugh Grant. Ele é ótimo, assim como Tom Hanks, que é incrivelmente amigável.

Então o trabalho de ator veio bem antes de assumir a direção teatral?
É verdade. O trabalho de direção começou porque eu estava atuando em um espetáculo de dança, com coreografia da minha mulher, Annie-B Parsan, e o pessoal da Universidade de Nova York nos pediu para dirigir uma peça, além do espetáculo de dança. Eu tive uma escolha natural para dirigir. A primeira peça que dirigi foi bem recebida e foi no início dos anos 90. Muitas daquelas pessoas estão na minha companhia até hoje.

Quantos anos tinha quando começou a atuar?
Eu estava com 18 anos. Hoje tenho 52 anos e ainda atuo e dirijo peças. Me dedico à minha companhia, mas também faço trabalhos de direção para outras companhias.

É sua primeira vez no Brasil?
Sim e tem sido uma experiência incrível para nós. Temos aprendido muito, porque o público reage em trechos diferentes da peça em comparação com o público norte-americano. Você vai percebendo as prioridades, a sensibilidade da cultura das pessoas. Além disso, o entusiasmo dos brasileiros pelo teatro nos chamou a atenção, principalmente dos jovens. Isso foi muito novo e excitante para nós. Adoramos as pessoas, a importância que elas dão para o ofício do teatro.

Como o cinema influencia o seu trabalho teatral?
Eu acho que mais que o cinema, o meu trabalho de atuação no palco, no teatro, influencia mais. Porque os filmes exigem muita honestidade, simplicidade e verdade na direção e tento trazer essa verdade também para o palco, mas de uma forma que ela seja ampliada. Para que todo o público possa compatilhar dela. Há um famoso ator antigo norte-americano, Jimi Stuart, que dizia: ''olhe nos meus olhos e diga a verdade'', que era a maneira como achava que os atores tinham que se portar. Eu tento reproduzir isso no palco.

Algo típico do Brasil que experimentou e ficará com saudades?
Oh! Caipirinha, é claro (risos). E também adoramos a maravilhosa carne brasileira, a maneira como ela é preparada aqui. Comemos muito churrasco por aqui, não conseguimos resistir! (risos). Iremos sentir saudades.

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