Hoje tem, mas ingresso que é bom acabou. Amanhã também terá, portanto quem quiser ver a apresentação que o cantor e compositor Zeca Baleiro fará no Cabaré é melhor coçar o bolso e correr à bilheteria instalada no Royal Plaza Shopping. E o mais rápido possível já que tão logo foi anunciada a vinda dele, o boca a boca mostrou-se tão eficaz quanto a trajetória artística do artista maranhaense, que há uma década vem alargando cada vez mais seus espaços no cenário musical. Nos shows de hoje e amanhã, Zeca Baleiro traz como base o repertório de álbum ''Baladas do Asfalto & Outro Blues'', de 2005. Hits vão alinhavar o espetáculo. Por isso é provavel que haja corinho em canções como ''Vô Imbolá'', ''Mamãe Oxum'', ''Salão de Beleza'', além de ''Alma Nova'', ''Versos Perdidos''. Ah, vamos citar algumas senão acaba perdendo a graça...
Zeca não sobe sozinho ao palco empunhando apenas violão e/ou guitarra. Para as apresentações, convocou os seguintes músicos: Tuco Marcondes (violões e guitarra), Fernando Nunes (baixo), Kuki Stolarski (bateria e percussão) e Adriano Magoo (teclados e acordeon). Ele mandou avisar: os shows prometem momentos de contemplação, mas é essencialmente dançante. Pop dos mais positivos e incisivos. Baladas e levadas. Quem sabe até pinte a releitura de ''Palavras'', um dos clássicos de Roberto e Erasmo Carlos. Deve ficar legal na voz dele, né? Vejamos. Ouçamos.
Zeca Baleiro, ou José Ribamar Coelho Santos, tem 41 anos. No primeiro disco, ''Por onde andará Stephen Fry?'', de 97, ele já dava sinais de que algo novo e proeminente viria a se instalar nas prateleiras de discos. Se há meros trocadilhos como ''Kid Vinil'', há no álbum preciosidades como ''Essas Emoções'' e ''Flor da Pele'', uma direta, singela e bela homenagem a Gal Costa. Que, rendida de encantos mil, o convidou para participar do seu ''Acústico MTV''. Pronto, visibilidade. Popularidade. Cá pra nós, ficou tão bonito o dueto dos dois...
De lá para cá, outros discos vieram - ''Líricas, de 2000, é a confirmação de que um artista não precisa cristalizar-se num só modo, ou seja, o pop entusiasmado deu conta a uma sonoridade condizente aos anseios de um projeto que evoca poesia. Zeca foi firmando-se, buscando cada vez mais ouvidos.
Pelo próprio selo - que recebeu o nome de Saravá - colocou em prática e para rodar discos que certamente as soberbas gravadoras não encampariam. A começar pelo CD póstumo de Sérgio Sampaio, composto com canções inéditas - engavetadas, vamos lá - do artista capixaba tão relegado ao segundo plano. Maravilha maior foi a parceria com a escritora Hilda Hilst que resultou num projeto magnífico e antológico.
Músicas, Zeca. Poemas, Hilda. Interpretações, dez cantoras imensas como Angela Maria, Maria Bethânia, Mônica Salmaso, Zélia Duncan, entre outras que o espaço (ou falta de) não permite citações e bons adjetivos. Saravá, o selo, ainda abarca o relançamento do CD do sambista maranhaense Antonio Viera, gravado ao vivo em 2001 (foi Rita Ribeiro, justiça seja feita, quem o foi buscar para as luzes da mídia).
Ainda neste mês, Zeca deve colocar na roda uma coletânea intitulada ''Lado Z'', em que se mostra como intérprete e reúne participações em trabalhos de outros artistas - a seleção vai de tributos a Odair José, passando por duetos com Lobão e releituras para canções de João Bosco, Jards Macalé e por aí vai. ''Menino Jesus'', gravação excluída de CD ''Pet Shop Mundo Cão'' também entra.
Informações e mais informações. Quer saber?! É interessante saber dos feitos e fatos a respeito de Zeca Baleiro. Melhor mesmo é ouvi-lo com a agudeza de percepção que merece. Zeca tem o que dizer. Vamos à audição?

SERVIÇO
- Show com Zeca Baleiro, no Cabaré, dentro da programação do 39º Festival Internacional de Londrina. Hoje, às 23 horas, ingressos esgotados. O Cabaré (Avenida Tiradentes, 987, antigo Rancho Brasil) abre as portas às 22 horas. Para o show de amanhã, marcado para as 22 horas (com abertura do local às 21h30), ainda há ingressos disponíveis. Ponto de venda: Royal Plaza Shopping. Preço: R$ 20,00 e R$ 10,00 (estudantes e aposentados)

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