A velhice traz uma mágica, que somente o preconceito consegue fazer, deixando as pessoas invisíveis. No espetáculo ''Houdini's Suitcase'', peça que, no nome, traça uma referência ao maior mágico do mundo, trazendo ao Festival Internacional de Londrina (FILO), a companhia inglesa Pickled Image, faz aparecer um dos momentos mais poéticos desta edição do festival.
O espetáculo estreou ontem, com reapresentações hoje e amanhã, às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo, trazendo na bagagem o sucesso da apresentação em Brasília (DF), onde estavam previstas apenas duas sessões, sendo que o grupo teve que realizar uma apresentação extra com casa lotada. Além da capital federal e Londrina, ''Houdini's Suitcase'' fez escala no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Belo Horizonte, onde o júri popular o escolheu como o melhor espetáculo. O grupo também incluiu na turnê brasileira Canela e Florianópolis.
Com uma mistura de várias técnicas de animação de máscaras e bonecos, o Pickled foi ao extremo do mundo para voltar com uma história emocionante sobre a idade em que o vento forte da maturidade, robusto e avassalador, derrubando os moinhos que insistem em ficar em pé, é apenas envelhecer aos olhos dos outros.
Com co-produção da Nordland Visual Theatre, o grupo se recolheu, durante seis meses, na ilha de Lofoten, na Noruega. Sob um frio de menos 20 graus centígrados e numa região onde o sol em uma determinada época do ano não aparece mais do que duas horas e em outras insiste em brilhar mais de 22 horas, o grupo encontrou a luz, que encanta no espetáculo profundamente visual.
''Criamos a montagem, justamente para ter esse impacto visual e emocional, sendo baseado nos meus avós e do Dik'', afirma Vicky Andrews, responsável pela criação, construção e encenação ao lado de Dik Downey. A peça é dirigida por Emma Lloyd, com composição e edição de som de Simon Preston e iluminação de Marianna Thallaug Wedset.
''Houdini's Suitcase'' é uma montagem trabalhosa e que trouxe ao FILO quase uma tonelada de equipamentos. Tudo isso para realçar as rugas da velhice. ''Queremos fazer as pessoas pensarem sobre os idosos, que todo mundo tem as suas histórias. O público se identifica ao criar uma empatia com isso'', avalia Vicky, que se preocupou em realizar uma montagem acessível.
Sobre Houdini, o maior mágico do mundo, somente está como uma referência no espetáculo, situando também a época da peça.
A companhia de bonecos de Bristol, na Inglaterra, também realiza trabalhos na TV BBC e no cinema.
Na ilha norueguesa, onde a montagem estreou, o público atravessava os fiordes, enseadas extensas e profundas, para mergulhar nessa mágica, que quebra o gelo da própria vida.

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