Jackeline Seglin
De Londrina
Filo 2000, Ano 0, de Todas as Artes. Um recomeço? Não exatamente. A diretora do Festival Internacional de Londrina, Nitis Jacon, lançou ontem, em entrevista coletiva, uma proposta diferenciada que imprime um caráter mais amplo ao evento no próximo ano.
A organização apresentou o cartaz do Filo 2000, o livro ‘‘1968 – 1988 – 2000 – Filo: uma história’’, uma retrospectiva atualizada do festival, e ainda a nova proposta, que envolve a interação da comunidade com os projetos desenvolvidos no evento. ‘‘É uma proposta diferenciada, mas não abrupta. O festival já é ‘multi’. Não é mais um evento só de teatro, nem só de artes cênicas. Mas agora assume um caráter mais amplo, de transculturalidade. Vamos fixar a idéia do Filo como um processo’’, define a diretora.
A idéia prevê um projeto de compatibilização do potencial criativo dos artistas e da sociedade com uma proposta piloto de política cultural que promova uma ‘‘trans-ação’’ com e entre diversas zonas de exclusão, estimulando uma visão unitária do organismo social na sua dimensão cultural. ‘‘Vamos fazer trabalhos de criação com a comunidade’’, simplifica.
Com a nova proposta, a população não terá somente o papel passivo e cúmplice de espectador de ações que nem sempre tem condições de escolher ou avaliar criticamente. A mobilização de diferentes segmentos sociais e a perspectiva de continuidade de algumas ações transformadas em programas ampliarão o acesso e a produção cultural. ‘‘O Filo não é meramente um evento que oferece entretenimento. Também oferece condições para que surja muita gente da comunidade que venha a trabalhar como produtores culturais’’, diz.
O Filo 2000, Ano 0, de Todas As Artes será realizado em três fases. A primeira inclui os chamados ‘‘Projetos de Maio’’, que compreendem oficinas, exposições, exibições, seminários visitas, cursos, etc – dentro de um caráter interativo. Esses projetos serão desenvolvidos com a comunidade a partir de apoio técnico e operacional de profissionais especializados. Por enquanto, 20 projetos estão sendo propostos, discutidos e avaliados – alguns deles já estão definidos.
A programação artística do festival está inserida na segunda fase, prevista para o mês de junho, com espetáculos em diversas áreas e de diferentes propostas performáticas. Segundo Nitis Jacon, a inclusão de algumas atrações ainda está sendo negociada.
O Cabaré do Filo poderá acontecer nas duas primeiras fases. ‘‘O Cabaré é o resultado de um desenvolvimento dinâmico do festival, que sempre se preocupou com o intercâmbio e a transdisciplinariedade. É a idéia da realização, da troca de idéias’’, comenta Fernando Jacon, diretor técnico do Filo.
Finalmente, na terceira fase, cinco projetos desenvolvidos pela comunidade na etapa inicial poderão ter continuidade ao assumirem um caráter de programa. Para isso, receberão suporte técnico e operacional do Filo.
Objetivando diminuir os custos da produção e buscando, ao mesmo tempo, uma otimização dos projetos através do intercâmbio de experiências, o Filo está estabelecendo parcerias com instituições educacionais e culturais, organismos públicos e privados, órgãos culturais e embaixadas de vários países, universidades e órgãos de comunicação.
(Leia mais sobre o Filo 2000 na página 2)Além de contemplar todas as artes, o festival do próximo ano reforça a interação entre a produção cultural e a sociedade
DivulgaçãoTortell Poltrona, do projeto ‘‘Palhaços Sem Fronteiras’’ (Espanha): um dos parceiros do Filo 2000Paulo WolfgangDa esquerda para a direita: o cenógrafo e parceiro do Filo, J.C. Serroni (projeto Espaço da Cena Latino-Americana); Fernando Jacon; Nitis Jacon; a coordenadora do Filo, Maria Fernanda Coelho, e o diretor da Casa de Cultura da UEL, Alcides Vitor de Carvalho, ontem, na entrevista coletiva

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