Neste ano, a cantora Elza Soares, 72, não vai brilhar apenas na Marquês de Sapucaí, no Rio, onde desfilará como rai© nha da bateria da escola Mocidade Independente de Padre Miguel. A diva carioca é ainda tema de dois filmes: um documentário e um longa de ficção.
Dirigido por Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, o documentário ''Elza'' traz a cantora interpretando canções de seu repertório ao lado de grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia, Paulinho da Viola e Jorge Ben Jor. ''Foi uma experiência muito importante em minha carreira, pois, quando o documentário foi filmado (em 2007), eu não estava muito bem de saúde e foi gratificante ouvir palavras tão belas de pessoas como Caetano Veloso'', conta a homenageada.
Segundo Izabel, que dirigiu o premiado documentário ''Paulinho da Viola - Meu Tempo É Hoje'', a proposta de ''Elza'' é revelar o trabalho artístico da cantora carioca. ''A vida dela já foi bastante explorada em livros e em programas de televisão'', lembra. Assim, a cineasta preferiu destacar seu talento. ''Elza tem uma voz única, que mescla a potência das divas do jazz americano com o suingue brasileiro.''
Já no longa dirigido por Elizabete Martins -ainda sem título-, ficção e realidade se fundem. ''Nessa obra, a história de minha vida, desde a infância, será retratada'', conta Elza, que participou da concepção do roteiro e das cenas. E, se no filme ''Garrincha - Estrela Solitária'' (2003) o papel da cantora ficou a cargo da atriz Taís Araújo, na obra de Elizabete a própria Elza encena sua história, nas cenas dedicadas aos dias atuais. ''Nada melhor do que eu mesma para mostrar quem eu sou'', resume a protagonista.
Por essa razão, Elza promete revelar, de maneira intensa, sentimentos como felicidade, raiva, tristeza e angústia. ''Sou uma pessoa extremamente verdadeira, que vive o dia a dia de maneira muito intensa. Por isso, no filme, não há como ser diferente'', pondera.
Enquanto os dois filmes não chegam aos cinemas, Elza tem se apresentado pelo País com o show ''Operária Brasileira''. No espetáculo, ela canta músicas de Chico Buarque (''Construção'') e Milton Nascimento (''Nos Bailes da Vida''), entre outras. ''No show, eu me vejo como babá, cozinheira... eu me entrego literalmente'', comenta a artista, que deve lançar em março o CD ''Arrepios'', gravado em dezembro do ano passado em São Paulo. No repertório, composições de Gilberto Gil (''Drão''), Luiz Melodia (''Juventude Transviada''), Lulu Santos e Nelson Motta (''Como uma Onda'') e outros autores.
Inquieta, Elza ainda promete, para breve, um CD recheado de ''standarts'' do jazz. Imperdível.

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