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Os filmes ‘‘O Ciclista’’, acima, ‘‘Fim da Infância’’ e ‘‘Pequeno Pássaro da Felicidade’’ são alguns dos que estarão sendo apresentados no II Festival de Filmes IranianosFILMES IRANIANOS
NA CINEMATECA
Curitiba tem boa oportunidade para conhecer a sensibilidade e a personalidade do cinema iraniano nesta mostra da Cinemateca

Elisa Marilia Carneiro
A Cinemateca de Curitiba coloca em cartaz o II Festival de Filmes Iranianos no Brasil. Até o dia 27 de novembro será exibido um filme diferente por dia. Para a sessão de abertura, ocorrida ontem, foi escolhido o filme ‘‘Onde é a casa do meu amigo’’, de Abbas Kiarostami. Serão cobrados os preços normais dos cinemas da Fundação Cultural (R$ 4,00 e R$ 2,00 para estudantes), com sessões sempre às 17h, 19h e 21h.
O Festival é uma promoção da Embaixada da República Islâmica do Irã e Fundação Cultural de Curitiba e divulga a indústria cinematográfica do Irã, que deu seus primeiros passos em 1929 com o filme ‘‘Abi & Rabi’’, de Ovaness Oganians. A produção pioneira era uma imitação das comédias do cinema mudo europeu e americano e não teve êxito de bilheteria pela concorrência com o cinema estrangeiro.
Produtores e diretores iranianos ainda fizeram inúmeros filmes mudos, até que em 1933 foi produzido ‘‘The Lore Girl’’, o primeiro filme falado iraniano. Era uma produção dirigida por um iraniano e feita na Índia. Produção em solo persa só aconteceria em 1948 com ‘‘A Tempestade da Vida’’. A partir daí, a indústria cinematográfica iraniana se fortaleceu e ganhou um grande número de espectadores.
Mas a concorrência com os filmes estrangeiros ainda prejudicava a produção nacional e o cinema iraniano sofreu uma queda cultural e econômica nas três décadas que precederam a Revolução Islâmica. A falta de apoio governamental também fazia falta aos diretores com talento.
A partir de 1979, com a Revolução Islâmica, o Ministério da Cultura e da Direção Islâmica adotou um plano para apoiar e reconstruir a indústria cinematográfica nacional. Este apoio procurou estimular uma reação dos produtores iranianos, fazendo um cinema com sensibilidade e personalidade. O governo também reduziu os impostos de 15% para 0,5% aumentando o retorno econômico das produções.
Foi também criada a Fundação de Cinema Farabi cujo objetivo era controlar a entrada de filmes estrangeiros no mercado. Seguiu-se então uma política para criar uma identidade cultural independente para o cinema iraniano.
Assim, em três anos, a indústria cinematográfica daquele país tornou-se produtiva, chegando a um volume de 60 filmes por ano. Além da quantidade, o cinema iraniano conquistou prêmios e o reconhecimento internacional, sobretudo por defender a autenticidade e a identidade cultural de um povo.

PROGRAMAÇÃO
‘‘Onde é a casa do meu amigo?’’ (1987), de Abbas Kiarostami. Dias 19 e 20.
‘‘O Ciclista’’ (1989), de Mohsen Makhmalbaf. Dia 21.
‘‘Fim da Infância’’ (1994), de Kamal Tabrizi. Dia 22.
‘‘Pequeno Pássaro de Felicidade’’ (1988), de Pooran Derakhshandeh. Dia 24.
‘‘Os Inquilinos’’ (1987), de Dariush Mehrjui. Dia 25.
‘‘Um Ingresso, dois filmes’’ (1991), de Dariush Farhang. Dia 26.
‘‘Capitão Khorshid’’ (1987), de Nasser Taghvai. Dia 27.
Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174). De 19 a 27 de novembro, com sessões às 17h, 19h e 21h, com ingressos a R$ 4,00 e R$ 2,00.

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