O teatro é a principal fonte da sabedoria cultural de Domingos Oliveira, mas é pelo cinema que ele consegue se expressar com mais veemência. É o que comprova a caixa com quatro DVDs que a Casa de Cinema de Porto Alegre acaba de lançar. São filmes que, além de comprovar a eloquência com que Oliveira encara a vida e os amores, representam também dois momentos de sua carreira. De um lado, os primeiros trabalhos, ‘‘Todas as Mulheres do Mundo’’ e ‘‘Edu Coração de Ouro’’. De outro, exemplos de sua retomada pessoal, depois de mais de 20 anos sem filmar: ‘‘Amores’’ e ‘‘Separações’’.
  ‘‘Na verdade, ainda que um bom tempo separe uma dupla da outra, os quatro filmes mostram que nada mudou em meu cinema’’, brinca Oliveira. ‘‘Em todos, há revelações explícitas ou disfarçadas - na verdade, tentativas de me superar.
  ‘‘Todas as Mulheres do Mundo’’ conquistou um enorme sucesso. Trata-se de uma comédia de costumes sobre as aventuras de um rapaz que paquera as belas mulheres das praias cariocas. Na contramão do cinema brasileiro de então, marcado por produções engajadas, o filme revelava uma nova forma de amar e, principalmente, uma nova mulher.
  ‘‘Edu Coração de Ouro’’ foi lançado em 1968 e segue a mesma linha narrativa, contando as aventuras do personagem-título, um conquistador e gozador da vida. Inspirado em um amigo do diretor, Eduardo Prado, o filme foi um fracasso de público e só teve reconhecimento de crítica anos depois.

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