Filmes comprometem a Globo
ReproduçãoPara a grande maioria, a opção de TV é a chamada rede comercial ou aberta. E ponderável parcela desta grande faixa da população tem na TV uma das grandes (por vezes a única) escolha em relação ao lazer. O mínimo que se poderia esperar, então, da chamada rede comercial é o respeito a este público. Isto se aplica, sem dúvida e principalmente, à Rede Globo. Afinal, sua indiscutível liderança junto ao público (tirando, claro, os domingos à tarde) implica, também, em um compromisso. O que, aliás, aparentemente, é reafirmado pela superintendente executiva da Globo, Marluce Dias da Silva, que afirmou, em reunião de diversas áreas da emissora, que a Globo deve continuar a ser a televisão do Brasil.
Deve, mas precisa, repito, principalmente, respeitar o telespectador. E não é o que se percebe. Vejam um caso típico: se você leva em consideração tudo o que foi escrito antes sobre o fato de a TV ser, para milhões, a alternativa de diversão, e como a gente sabe que sábado é o dia de distração, por excelência, tem-se que uma emissora de TV preocupada com o seu público programaria para aquele dia sempre grandes atrações. Na grade de programação dos sábados à noite, a Globo tem a novela, claro, e depois um filme. Mas o que a emissora tem programado para apresentar aos sábados, como filme, é mais que uma falta de respeito, é um acinte. Semana passada, tiveram a desfaçatez de mostrar Stallone Cobra um subproduto da mais baixa qualidade, que teria dificuldade em conseguir lugar como atração na categoria trash (lixo, para quem não sabe). O próprio Stallone, no momento em que demonstrou rara autocrítica, disse considerar o tal Cobra uma das piores coisas que já fez.
Claro que o telespectador, mesmo limitado na faixa comercial, tem opções e precisa exercitá-las. No mesmo dia em que a Globo mostrava aquele lixo, a Bandeirantes exibia uma comédia de humor negro, Mamãe é de morte que, pelo menos, produziu muitas risadas. Aliás, pelo menos em janeiro e neste começo de fevereiro, a Bandeirantes tem apresentado (em horário muito inteligente, logo depois da novela das 8 da Globo) filmes agradáveis de ver. Neste sábado, mesmo, está programado um policial instigante, com Bruce Wills. Quer dizer, se a Globo continuar a abusar da nossa paciência, o negócio é usar o botão e mudar de canal. A Band, em termos de filmes, repito, pelo menos nesta temporada de férias (que é quando a Globo mais abusa do público, porque seus programadores talvez pensem que a população brasileira toda está de férias nas paradisíacas praias do país e do Caribe) está oferecendo boas alternativas. É ficar atento à programação (que a Folha publica todos os dias) e fazer a opção, sem precisar ficar com mais raiva da Globo.





