Filmes 'chapa-branca'
Motivados pelo boom recente dos documentários musicais, dois trabalhos acadêmicos sobre o tema foram produzidos no Centro de Pesquisa de Cinema Documentário da Unicamp (Cepecidoc). Ambos os projetos têm em comum o esforço em relacionar todos os títulos produzidos nos últimos cinco anos - uma tarefa que surpreendeu os próprios alunos.
''Sem levantar primeiro os filmes que foram feitos, não há o que defender numa tese'', explica o historiador Guilherme de Lucca, mestrando na área de cinema. ''Chegou uma hora em que eu tive de parar de procurar, pois o corpus da pesquisa estava ficando muito extenso'', diz Tania Jacomini, estudante do curso de midialogia.
Para eles, as produções pesquisadas têm uma característica que quase sempre se repete: a estrutura baseada em imagens de arquivo, performances e, principalmente, depoimentos. Tania vai além, e aponta ainda uma falta de abertura para discussões de cunho social e político.
Micael Langer, um dos diretores de ''Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei'' (ao lado de Cláudio Manoel e Calvito Leal) concorda com os pesquisadores. Ele acredita que seu filme conseguiu escapar do formato tradicional, mas nem por isso deixou de ser criticado. ''Tentamos fazer um filme acessível, agradável, pop, comercial... E que parecesse com tudo, menos com um documentário. Ainda assim, teve gente que achou a linguagem muito televisiva'', reclama.
Langer também lamenta o fato de que, no geral, a safra é composta basicamente por ''filmes-homenagem''. ''A lei brasileira diz que a pessoa retratada tem de autorizar o direito de sua imagem. E aí fica difícil mostrar um personagem sem reverenciá-lo'', afirma o diretor, para quem o Brasil é o ''maior produtor de documentários chapa-branca do mundo''. (OG)





