Filme verde-amarelo tem poucas chances
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sexta-feira, 19 de março de 1999
Sílvia Herrera Agência Estado 
Com 28 prêmios internacionais conquistados em um ano, inclusive o Globo de Ouro - considerado uma espécie de prévia do Oscar - o filme de Walter Salles Jr. é a mais bem-sucedida produção nacional de todos os tempos. Sou da mesma opinião de Fernanda (Montenegro) e Waltinho (Salles Jr), não há possibilidade de Central do Brasil levar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Se ganhar é milagre, afirma o crítico de cinema Rubens Ewald Filho. Na categoria Melhor Filme Estrangeiro, o Brasil concorre com A Vida é Bela (Itália), Tango (Argentina), Crianças do Paraíso (Irã) e O Avô (Espanha).
Na opinião do crítico, Central do Brasil é o melhor filme brasileiro feito até hoje, mas há um forte concorrente - A Vida é Bela. Esse filme italiano realizou um lobby irresistível, conseguiu sete indicações, o que já é um recorde para um filme estrangeiro. E como será muito difícil ele vencer em qualquer uma das seis outras indicações, as quais concorre com filmes americanos, é lógico que vença a de Melhor Filme Estrangeiro, argumenta.
E ainda há mais: O drama dos judeus durante a 2ª Guerra costuma sensibilizar os americanos, e o Brasil é muito distante para eles.
Segundo Ewald, Central do Brasil é até melhor que a fita italiana.
Nunca estivemos tão perto e tão longe de conquistar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, conclui.
O filme de Salles é uma parábola do Brasil contemporâneo: conta a saga de uma mulher que escreve cartas para analfabetos na Central do Brasil e do menino Josué (Vinicius de Oliveira), que sai em busca do pai. Mais que isso, é um drama que sensibiliza o público com a estética da pobreza brasileira.
Para alguns atores do elenco de Central do Brasil, esta é a segunda vez que um filme com seu nome nos créditos é indicado ao Oscar de melhor produção estrangeira. Caio Junqueira, Matheus Natchergaele e Fernanda Montenegro atuaram em O Que é Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto, que concorreu no ano passado, perdendo para a produção holandesa O Caráter. Junqueira interpreta um dos irmãos de Josué (Vinicius de Oliveira) e Matheus Natchergaele vive o irmão mais velho.
Central do Brasil apresentou Cruzeiro do Nordeste para o mundo.
A cidade pernambucana é um dos cenários do filme, onde estaria o pai do pequeno Josué. A pequena cidade tem 700 habitantes e fica a 322 quilômetros do Recife. Na verdade, ela é um distrito de Sertânia, vizinho de Arcoverde, Custódia e Algodões, e nasceu como simples ponto de passagem entre uma cidade e outra. Cruzeiro do Nordeste já se chamou Ramal, Boa Vista e Placas.


