Na última quinta-feira, saiu o resultado da 25 Mostra Internacional de São Paulo. öO júri, formado pelos diretores Fernando Solanas, Buddhadev Dasgupta, Daniela Thomas e Jerzy Stuhr, mais o músico Jorge Arriagada, premiou o ''O Novo País'', filme sueco dirigido por Geir Hansteen. A fita é um impagável road-movie de dois imigrantes ilegais, o iraniano Moussaud e seu jovem companheiro somalês Ali, pelo interior da Suécia. Moussaud, do tipo realista, acha o povo sueco tão sem sal quanto a sua comida. Ali, do tipo entusiasta e deslumbrado, vê graça em tudo. Ao longo da viagem, mergulhando nas contradições da realidade sueca, os dois mudam de perspectiva: Ali (Mike Almayehu) torna-se melancólico e descrente, perdendo as ilusões e a fome. Moussaud (Michalis Koutsogiannakis) faz-se efusivo e esperançoso.
A força e a verdade do filme estão aí: no fato de uma mesma realidade gerar reações diametralmente opostas nos protagonistas estão também, é verdade, nas notáveis atuações de Almayehu e Koutsogiannakis. Explorando a ambiguidade imanente a toda realidade, Moodysson e Jörgensen vão a fundo nas contradições que fazem o cotidiano de seu país. Ali e Moussaud recebem a solidariedade de quem menos esperam e sofrem o revés de onde menos esperam. ''O Novo País'' é um filme tão rico em contradições que, apesar de ter sido financiado pelo Estado sueco, denuncia a política xenófoba desse mesmo Estado.

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