Filme sobre profecias faz sucesso na América
Ricardo Bairos
Agência Estado
Até a Bíblia virou filme de ação. Estreou sem muito estardalhaço nos Estados Unidos há duas semanas o filme The Omega Code. A aventura, com Casper Van Dien e Michael York, é uma adaptação, à la virada do milênio, de profecias que fazem parte dos livros bíblicos de Daniel, Ezequiel e Revelação. O resultado é um épico cheio de efeitos especiais, com cara de filme de 007, sobre a volta de Jesus Cristo, entre outras coisas.
A façanha do thriller independente foi ficar entre os 10 filmes que arrecadaram mais dinheiro nos cinemas norte-americanos em meados de outubro, apesar de ter estreado em apenas 304 cinemas. No fim de semana em que chegou às telas, The Omega Code faturou US$ 2,4 milhões, com a média de US$ 7,7 mil por sessão: mais do que qualquer outro filme, até Clube da Luta, que entrou em circuito na mesma época. Apesar do hype, que incluiu reportagens no USA Today e no New York Times, o filme não passou para mais salas.
Os motivos são: os produtores não têm dinheiro para fazer novas cópias e a história toda pode ser fogo de palha. O faturamento da fita caiu 32% na segunda semana - o normal é considerado 25%. Em dez dias, The Omega Code arrecadou US$ 4,5 milhões. O filme foi produzido pela Trinity Broadcast Network, uma organização de emissoras de rádio e TV cristãs administradas pelo líder religioso Paul Crouch. De início, a fita foi promovida apenas entre cristãos, gente que frequenta a Igreja mesmo. Fiéis - e até mesmo pastores, para distribuir entre seu rebanho - compraram ingressos antecipados para todas as sessões iniciais do filme, o que resultou nos números impressionantes.
A partir daí, ainda não houve o esperado cross-over, quando outros tipos de público ouvem falar do filme e resolvem conferir o hype. Nem a presença do ator Casper Van Dien, de Tropas Estelares, ajudou o filme a ganhar potencial e chegar ao mainstream. Atualmente, a fita está em cartaz em 297 salas, mas Matt Crouch, filho do televangelista produtor, acha que esta tendência pode reverter e The Omega Code passar a ser exibido em 450 salas no fim de novembro. As profecias finais não dão conta do assunto, mas nem com boca a boca positivo - que não há, no momento - o filme deve chegar lá.
The Omega Code é sobre Stone Alexander (York), presidente da União Européia, que está atrás da dominação completa do mundo. Ele rouba um programa de computador que consegue decifrar códigos secretos da Torá, sobre revelações de esquemas do universo, a chave do futuro. Gillen Lane (Van Dien), guru de auto-ajuda (!) e especialista em mitologia, tem de deter o Anti-Cristo (o demônio em si, que, entre outros, já foi Adolf Hitler em vidas passadas), caso contrário não vai haver terceiro milênio. A trama combina profecias antigas e tecnologia de ponta, além de muita intriga internacional.
Entre os problemas do filme, estão as muitas narrações, os diálogos sofríveis e as atuações medíocres. Mas o sucesso da produção entre seu público-alvo é basicamente por causa de duas coisas que ela não tem, ao contrário de tudo que Hollywood produz atualmente: sexo e palavrões. The Omega Code custou US$ 7,2 milhões, relativamente pouco para uma produção rodada em várias partes do mundo (sobretudo Jerusalém, em Israel) e com tantos efeitos especiais. A distribuição do filme no Brasil ainda não foi garantida.





