FILME SOBRE OS SEM-TERRA SERÁ DIRIGIDO AOS 'SEM-TELA'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de janeiro de 2001
Ranulfo Pedreiro De Londrina 
Os conflitos de um casal que deixa a cidade em busca da própria terra um local em que a solidariedade fala mais alto no convívio humano embasam o roteiro de Terra Prometida, longa-metragem produzido pelo cineasta Pery De Canti em parceria com a Comissão Pastoral da Terra. O roteirista e diretor De Canti está no Paraná em busca de apoio financeiro para a realização.
Em passagem por Londrina, ontem, Pery De Canti conseguiu apoio da Secretaria Municipal de Cultura. O apoio se sustenta nos esforços de viabilização com um comitê de facilitação para a captação de recursos de apoiadores aos projetos. Como entidade municipal, a secretaria tem relação com empresas do município e é parte interessada em trazer essas empresas para o projeto, comentou o cineasta. O mesmo tipo de apoio, segundo ele, foi obtido com a secretaria de Cultura de Ponta Grossa. Pery De Canti afirmou que está fazendo contatos com a Fundação Cultural de Curitiba e a Secretaria Estadual de Cultura. A criação de um comitê de facilitação também será sugerida em Cascavel.
Terra Prometida já foi aprovado pela Lei Rouanet e do Audiovisual, mas os recursos ainda não foram obtidos pelo cineasta. As filmagens do longa-metragem estão previstas para julho e o lançamento caso não haja nenhum imprevisto para o final do ano.
O roteiro do filme é do próprio Pery De Canti, que já teria escalado o núcleo principal do elenco com Letícia Sabatella, Jandir Ferrari, Marco Ricca e Karina Barun. Para a direção de fotografia está cogitado Walter Carvalho (de Central do Brasil), e para música tema, João Bosco. Entre os co-produtores, são citados Quanta Centro de Produção Cinematográfica de São Paulo, Fujifilm do Brasil e Cinema Copiagens e Revelações.
O fator primordial é recurso, a equipe técnica já existe, o diretor artístico será o Tião Fonseca, de Terra de Deus. A locação de equipamentos está ligada à questão dos recursos. Parte deste equipamento já está em regime de co-produção. Estamos fazendo também o levantamento de locações em Londrina, completa.
O projeto levanta discussões sociais, buscando a repercussão dos problemas relativos à questão da terra. O Paraná foi escolhido, segundo o diretor, pela geografia. Estou no Paraná correndo atrás de recursos e de uma política de regionalização do projeto, com destaque possível para Londrina, Ponta Grossa e Cascavel. As características geográficas se adequam a um filme de romance rural, assegura.
Pery revela que o projeto vai além do filme: é um longa-metragem, mas também se divide com a edição de dois livros: A Terra como Educação, voltado para alunos de primeiro e segundo graus da rede municipal e estadual; e A Educação pela Terra, composto de textos feitos por alunos das universidades do Brasil. Ambos serão distribuídos gratuitamente e lançados no I Fórum Nacional de Ensino A Terra como Educação, previsto para ser realizado em julho deste ano, começando na UnB, em Brasília.
O agente Wagner Roberto do Amaral, da Comissão Pastoral da Terra do Paraná, ressalta o caráter social do projeto: Ele reflete e discute a realidade do campo aqui no Paraná e é uma oportunidade de projetar isso, a cidade, a região e sua diversidade étnica. Queremos incentivar as pessoas a assistirem o filme, levantarem discussões, estudarem a questão e produzirem textos e artigos.
Terra Prometida será exibido, inicialmente, em Curitiba e interior do Paraná, antes de chegar a outras localidades do país. Isso aborda também a questão dos sem-tela, chegando a comunidades carentes, fazendo disso um projeto popular. Estou lançando uma campanha nacional de doações voluntárias de recursos e uma campanha de doação via imposto de renda de pessoa física pela Lei Rouanet, comenta Pery.
O filme pretende abordar questões culturais dos sem-terra, como religião, saúde, educação e o convívio social, costurado pelo romance. Esse enredo está fincado em uma realidade da questão da terra e dos sem-terra, mas não tem vínculos com associações político-partidárias, ressalta.
O diretor traz, no currículo, o documentário A Liberdade de Imprensa, rodado no nordeste sobre assassinatos de jornalistas, concluído em 1996. Trabalhou na produção de Terra de Deus, de Iberê Cavalcanti, com Lucélia Santos e Stepan Nercessian, e no projeto Mara Mar As Rodas da Integração como produtor executivo, sobre a unificação de países da América Latina. Com Exupiá Coração de Macunaíma, foi premiado em Brasília, em 1986 o filme representou o Brasil no Festival de Frankfurt. O diretor garante que, após o Carnaval, terá mais informações sobre o andamento da produção.
Os interessados em auxiliar o projeto com doações podem participar via Lei Rouanet, com abatimento de até 6% do imposto de renda de pessoa física a ser declarado até abril. Outra forma de colaboração é a doação direta para a conta corrente 0114890-7, agência 0485-5 do Banco Bradesco, em nome de De Canti Produções Artísticas e Cinematográficas Ltda do Espírito Santo , produtora do filme. Os colaboradores terão seus nomes incluídos nos créditos da produção.


