Filme sobre Lula atrai pouco público
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Mais do que qualquer outro comentário ou crítica a ''Lula, o Filho do Brasil'', do diretor Fábio Barreto, o filme é uma história de teimosia - comum aos que conhecem de perto a pobreza.
''Para quem não entende a realidade da pobreza pode até pensar que o que o filme retrata foi inventado, mas o roteiro apresenta praticamente a realidade da gente que saiu do Nordeste. Nós é que entendemos como é a situação em que faltam as coisas no dia a dia, a chegada em São Paulo não é fácil, com pouco estudo. É difícil para chegar lá'', afirmou o taxista Antonio Teixeira Maciel, o Boa Gente, 69 anos, primo de Lula e que, no último final de semana, assistiu ao filme.
Em cartaz no Cine Com-Tour, o filme, como defende o diretor, é a história de um filho e uma mãe, a dona Lindu. É como o taxista londrinense se refere ao primo que chegou à Presidência da República: o Luiz da Lindu.
Taxista do ponto do Com-Tour, Boa Gente assistiu ao filme acompanhado do genro e netos.
''Achei bom levar a minha família para assistir e fiz questão que os meus netos vissem a importância de não desanimar e que, mesmo que a pessoa tenha nascido na pobreza, sem estudo, não deve deixar de ir para a frente. Eu ganhei o livro em que o filme é baseado. O livro é mais completo'', lembrou Boa Gente que ao chegar em São Paulo, morou na Vila Carioca, onde dona Lindu foi morar com os filhos ao fugir do marido violento.
Para enxergar no longa o drama familiar comum aos nordestinos que buscam oportunidade no Sudeste e Sul do País, é preciso deixar qualquer resquício de preconceito em casa e se emocionar com a trajetória de um cidadão que - nas palavras da dona Lindu - venceu a adversidade por teimosia.
A história sindical não é paralela no enredo, mas assinala um período importante da história brasileira. Outro argumento para não deixar de ir ao cinema.
''É emocionante porque mostra a história do Brasil'', avaliou o servidor público Carlos Sovinski, 36 anos, ao deixar a sala de cinema com a família.
Na primeira semana de estreia nacional, ''Lula, o Filho do Brasil'', ficou com uma média de 220 mil espectadores. Um público bem aquém de ''Se eu Fosse Você 2'', que registrou 560 mil ingressos vendidos.
A jornalista Ivone Ursi, 64 anos, que também assistiu à sessão, comentou que o preconceito afasta um pouco o público do cinema, ressaltando as qualidades técnicas e do enredo do filme, como bons motivos para assistir.
''Gostei do filme, independente de ser o Lula. Reflete a vida de pessoas que lutam por um sonho. Ele descobriu que tinha força para lutar e melhorar o País. É um filme sobre alguém que lutou por um sonho. Acho que se criou muito preconceito contra o Lula, o que interfere no interesse do público em assistir ao filme. Na minha avaliação, o longa deveria estar em cartaz em mais salas em Londrina. É bem feito e emociona muito''.


