Filme revela correspondência inédita
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Ubiratan Brasil<br> Agência Estado 
São Paulo - O conhecimento de Henrique Lins de Barros sobre a vida e os inventos de Santos-Dumont vai ser útil também para o documentário ''O Homem Pode Voar - A Saga de Santos-Dumont'', que o cineasta e jornalista Nelson Hoineff está produzindo. Ele atua como consultor na elaboração do filme, que terá uma duração de pouco mais de uma hora e deverá ficar pronto em outubro.
Documentarista experiente, Hoineff, assim como Barros, incomoda-se com o restrito material existente sobre o inventor, especialmente no momento em que se comemoram os centenários dos feitos de Santos-Dumont. ''Nos Estados Unidos, os festejos pelos inventos dos irmãos Wright, que voaram depois do Santos-Dumont, vão consumir 230 milhões de dólares'', conta Hoineff, que já realizou uma série de entrevistas e pretende filmar em Paris, no próximo mês.
O material documental está muito disperso, mas ele já reuniu preciosas imagens fixas e movimentos. No filme, Hoineff pretende também apresentar todas as referências históricas que marcaram o início do século passado. ''Havia uma rivalidade muito grande entre os inventores da época, algo como uma corrida de F-1.''
Hoineff pretende também focalizar o enredo em um aspecto de Santos-Dumont, o de inventor. ''Estamos evitando privilegiar dados pessoais, pois, quando se é abrangente demais, o resultado é fraco'', justifica ele, que tem a garantia de divulgar material inédito como a correspondência que Santos-Dumont trocou com o amigo francês Louis Cartier, responsável pelo pioneiro protótipo do relógio de pulso.
Desde que iniciou o projeto, Hoineff vem sendo contatado por famílias que oferecem documentos particulares relacionados ao inventor. Sua principal fonte de pesquisa, porém, é o arquivo da sobrinha-neta de Santos-Dumont, Sophia Wanderley, que detém uma preciosa coleção de fotos.
Como está sendo rodado em alta definição, o documentário poderá, quando finalizado, ser exibido em diversos espaços. Um deles seriam enormes telões, espalhados, por exemplo, pelos aeroportos brasileiros. Outro seria a veiculação tradicional pela televisão, tanto de sinal aberto como por assinatura. ''Teremos também cópias em videocassete, que serão distribuídas em 60 mil escolas públicas do País'', informa o documentarista.


