Filme resgata clima de 'Dancin' Days' no cinema
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quinta-feira, 19 de abril de 2012
Marcela Rodrigues Silva <br> <br> Agência Estado 
São Paulo - Uma boate no Rio de Janeiro, meias lurex, top e calça de cetim povoavam o sonho de muitos brasileiros em 1978. A novela ''Dancin' Days'', de Gilberto Braga (exibida depois em outros 40 países), era a válvula de escape quando a ditadura ainda imperava no País. É este o contraste retratado no filme ''Novela das Oito'', dirigido por Odilon Rocha, que traz a história de personagens interligados, mas com dramas e visões diferentes.
Dora (Cláudia Ohana) é uma ex-militante, empregada de uma prostituta sonhadora, Amanda (Vanessa Giácomo). Representando a crueldade dos anos de chumbo, surge Brandão (Alexandre Nero). Nesse rol de figuras distintas, há ainda Paulo (Mateus Solano), um executivo bem-sucedido, e Caio (Paulo Lontra), filho de Dora e seguro de sua homossexualidade.
Dora assassina um cliente de Amanda, envolvido com a ditadura, e as duas fogem para o Rio de Janeiro. Para Dora, é uma viagem tensa, que a coloca perto da família, do filho e do homem que ama. Para Amanda, uma aventura cheia de glamour. Apesar de falar da ditadura - e, inclusive, mostrar a rotina de um grupo de militantes -, o dramalhão perde espaço para a comédia.
''Amanda é uma personagem que sonha viver uma novela das 8. Ela sabia da realidade. E isso fica bem sintetizado quando ela diz: 'Você pensa que eu não sei, Dora. Mas é preciso sonhar, senão a gente morre''', explica Vanessa Giácomo, que usou cinta-liga e peruca loura para viver a prostituta.
Noveleiro, Odilon Rocha queria homenagear a teledramaturgia há 16 anos. ''A novela é um fenômeno no Brasil. E 'Dancin' Days' trazia a liberdade ao brasileiro. Era subversivo'', diz ele, que começou a carreira como figurinista, e caprichou nos looks e cenários, retratando fielmente a época.
O longa trata com leveza até assuntos mais polêmicos. Sob a direção de Odilon, o beijo gay apareceu como algo natural, ainda que o encontro entre os dois personagens surpreenda. Mateus Solano e Paulo Lontra, respectivamente Paulo e Caio, fizeram uma cena cheia de virilidade. ''Não queria chocar ninguém. Foi bem natural e sem estereótipos. Como tem de ser'', diz o diretor.


